Nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) os atendimentos à população infantil são frequentes e as decisões de tratamento devem ser pautadas na saúde integral, idade e queixa principal. Dessa forma, considerando um caso clínico hipotético de determinado paciente com 7 anos de idade, queixa de dor, edema extrabucal, lesão cariosa severa, ausência de febre/prostração e sem alergia à medicação, assinale a alternativa correta.
- A)Prescrição de antibiótico venoso – nível hospitalar.
Errada, porque antibiótico venoso é medida hospitalar reservada a quadros graves, com comprometimento sistêmico ou risco de disseminação, o que não aparece no caso.
- B)Prescrição de antibiótico oral – primeira escolha azitromicina ou penicilina.
Errada, porque antibiótico oral isolado não resolve o foco infeccioso dentário, e azitromicina não é a primeira escolha em paciente sem alergia à penicilina.
- C)Acesso endodôntico, medicação intracanal – sem prescrição de antibiótico oral.
Errada, porque o tratamento local é necessário, mas o edema extrabucal indica que o antibiótico oral também está indicado como adjuvante.
- D)Acesso endodôntico, medicação intracanal e prescrição de antibiótico oral – primeira escolha penicilina.
Certa, porque o caso pede controle do foco com acesso endodôntico e medicação intracanal, associado a antibiótico oral com penicilina na ausência de alergia.
Gabarito: D
Em Odontologia infantil, a conduta não deve olhar só para a denteira, mas para o paciente como um todo: idade, sinais sistêmicos, extensão do quadro e risco de piora. Em um caso com 7 anos, dor, edema extrabucal e lesão cariosa severa, você já pensa em infecção odontogênica com repercussão local importante, exigindo tratamento do foco, e não apenas “passar remédio e esperar”. Quando não há febre, prostração ou sinais de disseminação sistêmica, o antibiótico não entra como medida isolada nem substitui o tratamento local. O passo principal é eliminar ou controlar a causa endodôntica, com acesso endodôntico e medicação intracanal, porque é isso que reduz a carga bacteriana dentro do dente. Como existe edema extrabucal, a situação deixa de ser uma simples dor de dente e passa a justificar antibioticoterapia por via oral como adjuvante, especialmente em criança. Na prática de prova, a primeira escolha clássica é a penicilina, desde que não haja alergia. A lógica é simples: tratar o foco e ajudar o organismo a conter a infecção. Antibioticoterapia sem tratamento local costuma ser um “curativo em vazamento”. Por isso, a alternativa correta é a que associa acesso endodôntico, medicação intracanal e antibiótico oral com penicilina. Isso está alinhado com a conduta odontológica conservadora em UBS: resolver a origem do processo infeccioso, reservar antibiótico para quando há indicação clínica e evitar excesso de prescrição.