Mulher, 58 anos, foi encaminhada para avaliação de placas brancas não destacáveis na raspagem, assintomáticas, com oito meses de evolução, localizadas nas gengivas, inseridas em vestibulares dos pré-molares e molares inferiores do lado direito. A lesão se estendera para a mucosa jugal do mesmo lado. Algumas áreas mostraram projeções rugosas na superfície. A paciente relatou que nunca foi tabagista. Foi realizada uma biópsia incisional. O diagnóstico histopatológico foi de hiperceratose e acantose com displasia leve. Em relação ao quadro apresentado pela paciente, assinale a afirmativa correta.
- A)A remoção cirúrgica total da lesão elimina o risco de transformação maligna.
Errada, porque a retirada total não elimina de forma absoluta o risco de recidiva nem de transformação maligna.
- B)Trata-se de uma lesão de alto risco com transformação maligna, com alta taxa de recidiva.
Certa, pois a lesão apresenta características de alto risco, com displasia e possibilidade de recidiva e malignização.
- C)O risco de evolução da lesão para carcinoma espinocelular é pequeno por apresentar uma displasia leve.
Errada, porque displasia leve não significa risco pequeno ou inexistente de carcinoma espinocelular.
- D)O risco de evolução para carcinoma espinocelular é pequeno pelo fato da paciente nunca ter sido tabagista.
Errada, porque não ser tabagista não exclui o risco de transformação maligna em leucoplasia oral.
Gabarito: B
O quadro descreve uma lesão branca não destacável compatível com leucoplasia oral, especialmente porque persistiu por meses, estava em mucosa queratinizada e ainda apresentou displasia no exame histopatológico. Na prática, quando a biópsia mostra hiperceratose, acantose e displasia, você já acende o alerta: não é uma lesão para tratar como “manchinha inocente”. O ponto mais importante é que a leucoplasia, sobretudo quando extensa, irregular, com aspecto verrucoso/áspero e com displasia, é considerada uma lesão potencialmente maligna. Mesmo que a displasia seja leve, isso não zera o risco de transformação em carcinoma espinocelular. Displasia leve significa menor grau de alteração microscópica, não ausência de risco. Também é errado pensar que a remoção cirúrgica total resolve tudo para sempre. A excisão pode reduzir o problema, mas não elimina completamente o risco de recidiva ou de transformação maligna, porque a mucosa pode ter alterações difusas de campo, e novas áreas podem surgir ao longo do tempo. Por fim, o fato de a paciente nunca ter sido tabagista não protege contra câncer oral. Leucoplasia também ocorre em não fumantes, e em vários casos o risco continua existindo por idade, localização, aspecto clínico e presença de displasia. Então, o gabarito B está correto porque descreve exatamente uma lesão de alto risco, com chance de malignização e tendência a recidivar.