Homem, 46 anos, apresenta febre de 40° C; faringite; tonsilite; e, petéquias no palato duro e mole. O paciente relatou na anamnese que uma semana antes do aparecimento da sintomatologia apresentou prostração; mal-estar; e, anorexia anterior ao quadro de hipertermia. No exame físico notou-se, também, linfadenopatia sintomática nas cadeias cervicais anteriores e posteriores. Após avaliar os dados clínicos descritos, a melhor hipótese diagnóstica para o caso é:
- A)Herpangina.
Herpangina costuma ocorrer mais em crianças e apresenta vesículas/úlceras em orofaringe, não o padrão de linfadenopatia cervical posterior e petéquias palatinas.
- B)Sífilis secundária.
Sífilis secundária pode dar lesões orais e sintomas sistêmicos, mas o conjunto faringotonsilar agudo com linfadenopatia típica favorece outro diagnóstico.
- C)Mononucleose infecciosa.
Correta: a associação de febre alta, prostração, faringite, tonsilite, petéquias em palato e linfadenopatia cervical anterior e posterior é muito sugestiva de mononucleose infecciosa.
- D)Infecção herpética primária.
Infecção herpética primária geralmente causa gengivoestomatite dolorosa com múltiplas vesículas e úlceras, e não esse padrão clássico de linfonodos cervicais posteriores.
Gabarito: C
A quadro clínico descrito aponta para uma síndrome infecciosa bem clássica: febre alta, faringite, tonsilite, petéquias em palato e linfadenopatia cervical, principalmente quando há pródromo com mal-estar, prostração e anorexia antes da febre. Em Odontologia, esse conjunto de achados chama atenção porque pode parecer uma amigdalite comum, mas a distribuição dos linfonodos e as lesões palatinas ajudam a afunilar bastante o diagnóstico. Na mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr, é muito típico o paciente chegar com faringotonsilite intensa, febre, cansaço marcado e aumento de linfonodos cervicais anteriores e posteriores. As petéquias no palato duro e mole também são um achado bem conhecido e ajudam a reforçar a hipótese. Ou seja, não é só "dor de garganta": o corpo inteiro entra em cena. Esse pródromo de uma semana, com mal-estar e anorexia antes da hipertermia, combina com a evolução viral da mononucleose. A doença pode lembrar estreptococcia ou até herpes em alguns momentos, mas a presença de linfadenopatia cervical posterior é uma pista valiosa, quase um bilhete carimbado do Epstein-Barr. Por isso, a melhor hipótese é mononucleose infecciosa. Em prova, quando aparecer febre alta + faringite/tonsilite + petéquias palatinas + linfonodos cervicais anteriores e posteriores, pense primeiro nisso antes de sair chutando herpes ou sífilis.