Paciente, 30 anos de idade, chegou ao serviço de urgências odontológicas com quadro de avulsão do dente 11 durante uma partida de futebol. O dente estava com a raiz íntegra; foi reimplantado no local do acidente e não havia fratura óssea. De acordo com as informações, é correto afirmar que o dente deve ser estabilizado por
- A)14 dias com contenção rígida.
Errada, porque 14 dias podem até ser o tempo adequado, mas a contenção rígida aumenta o risco de complicações e não é a indicada sem fratura óssea.
- B)28 dias com contenção rígida.
Errada, porque tanto o tempo de 28 dias quanto a contenção rígida são excessivos para um caso sem fratura alveolar.
- C)28 dias com contenção semirrígida.
Errada, porque a contenção semirrígida está correta em princípio, mas 28 dias é tempo maior do que o recomendado para esse cenário.
- D)14 dias com contenção semirrígida.
Certa, porque após reimplante de dente avulsionado sem fratura óssea a estabilização deve ser feita com contenção semirrígida por cerca de 14 dias.
Gabarito: D
Na avulsão dentária, o tempo e o tipo de contenção dependem principalmente de haver ou não fratura óssea associada. Quando o dente é reimplantado e não existe fratura do osso alveolar, a conduta clássica é fazer contenção semirrígida por curto período, para permitir cicatrização sem “engessar” demais o dente. A ideia é estabilizar o suficiente para o ligamento periodontal se reorganizar, sem impedir a pequena movimentação fisiológica que favorece a reparação. Aqui está o ponto-chave: como não houve fratura óssea, a contenção rígida não é a melhor escolha. Ela aumenta o risco de anquilose e reabsorção por substituição, porque prende demais o dente. Já a contenção semirrígida por 14 dias é o padrão recomendado nas situações de avulsão com reimplante imediato e sem fratura alveolar. Então o gabarito D está correto porque junta exatamente os dois elementos esperados pela conduta atual: tempo curto, de 14 dias, e contenção semirrígida. Em traumatologia dental, às vezes o que salva a questão é essa dupla: “pouco tempo” e “pouca rigidez”. O dente agradece, e o examinador também. Doutrinariamente, essa orientação é compatível com os protocolos de traumatologia dentária amplamente adotados, inclusive os da International Association of Dental Traumatology (IADT).