Paciente, sexo feminino, 20 anos, sem alterações sistêmicas dignas de nota, foi submetida a um bloqueio do nervo alveolar inferior para realização de uma restauração em resina composta, do primeiro molar inferior direito. Duas semanas após a realização do procedimento, a paciente retornou ao consultório relatando que a anestesia persistia. Sobre a parestesia, ou anestesia persistente, assinale a afirmativa correta.
- A)Quando o nervo lingual é envolvido, não há possibilidade da perda do paladar.
Errada, porque o nervo lingual pode sim estar associado a alteração do paladar, já que ele conduz fibras da corda do tímpano.
- B)O corte das fibras nervosas pela agulha é o principal mecanismo para o desenvolvimento do quadro.
Errada, porque o corte direto das fibras pela agulha não é o principal mecanismo, sendo mais comuns compressão, edema, hematoma e toxicidade local.
- C)A hemorragia dentro ou a redor da bainha neural e o edema após procedimento cirúrgico são causas da parestesia.
Certa, porque hemorragia ao redor da bainha neural e edema pós-procedimento podem comprimir o nervo e causar parestesia persistente.
- D)Trata-se de uma complicação que pode ser geralmente evitável, quando se emprega a técnica de bloqueio do nervo alveolar inferior corretamente.
Errada, porque a parestesia pode ocorrer mesmo com técnica adequada, sendo uma complicação rara e multifatorial, não simplesmente evitável.
Gabarito: C
Parestesia, ou anestesia persistente, é aquela situação em que a sensação anormal continua além do esperado após o bloqueio anestésico. Em Odontologia, isso pode ocorrer após anestesias tronculares, especialmente no bloqueio do nervo alveolar inferior, porque a região anatômica é muito próxima de feixes nervosos mais delicados. Na prática, o quadro pode variar de formigamento e dormência até alteração de sensibilidade e, em alguns casos, alteração do paladar quando o nervo lingual é envolvido. A causa nem sempre é "um nervo cortado pela agulha". Isso é até uma imagem que assusta, mas o mecanismo mais comum envolve lesão por compressão, trauma químico ou mecânico, inflamação local e isquemia. Entre as causas descritas na literatura estão a hemorragia dentro ou ao redor da bainha neural e o edema pós-procedimento, que comprimem o nervo e atrapalham sua condução. Por isso, a alternativa C está correta: hematoma intraneural ou perineural e edema após procedimento cirúrgico são causas clássicas de parestesia. Já a ideia de que a anestesia persistente é algo "geralmente evitável" se a técnica for perfeita é simplista demais, porque mesmo com técnica correta podem ocorrer complicações. A doutrina de Anestesiologia Odontológica descreve esse evento como raro, mas possível, e de etiologia multifatorial. Em resumo: persistiu dormência por duas semanas? Acende a luz amarela para parestesia. A chave da questão é reconhecer que a lesão não depende necessariamente de erro grosseiro, e que compressão por edema ou sangramento pode explicar o quadro.