Considerando que desde os clássicos estudos epidemiológicos de Dean et al., na primeira metade do século passado, o fluoreto (F) vem sendo amplamente utilizado, com sucesso, para o controle da cárie dentária, analise as afirmativas a seguir. I. A ingestão excessiva do flúor tanto de forma crônica quanto de forma aguda pode ser tóxica para o organismo. II. O flúor protege o dente contra a cárie devido a sua ação sistêmica após ser absorvido pelo trato gastrointestinal. III. Para o controle da cárie é necessário um suprimento constante de baixos níveis de F nas fases fluidas do ambiente bucal. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
Esta alternativa reúne as três afirmativas, inclusive a ideia de que o fluoreto protegeria o dente por ação sistêmica após ser absorvido no trato gastrointestinal. A I está correta porque a ingestão excessiva de fluoreto pode causar toxicidade aguda e, quando crônica, efeitos como fluorose. O problema está na II: a proteção anticárie não se explica hoje por um efeito sistêmico isolado, mas sobretudo pela ação tópica contínua na saliva e no biofilme; por isso, a combinação proposta fica incorreta.
- B)I e II, apenas.
Aqui se afirmam apenas as proposições I e II. A I procede, pois o excesso de fluoreto pode gerar intoxicação tanto aguda quanto crônica, dependendo da dose e do tempo de exposição. Já a II erra ao atribuir a prevenção da cárie a uma ação sistêmica após absorção gastrointestinal, quando o mecanismo predominante é local/tópico; além disso, a III também é verdadeira ao destacar a necessidade de baixos níveis constantes de fluoreto no meio bucal.
- C)I e III, apenas.
Esta é a combinação adequada porque reúne I e III. A I é verdadeira, já que o fluoreto em excesso pode ser tóxico tanto de forma aguda quanto crônica, e a III também é correta ao indicar que o controle da cárie depende de suprimento constante de pequenas concentrações de F nas fases fluidas da boca, como saliva e fluido do biofilme. Essa proteção ocorre principalmente por efeito tópico, com favorecimento da remineralização e redução da desmineralização.
- D)II e III, apenas.
A alternativa junta II e III. A III descreve corretamente a importância de manter baixos níveis contínuos de fluoreto no ambiente bucal, mas a II está conceitualmente inadequada ao dizer que a proteção contra a cárie decorre da ação sistêmica após a absorção gastrointestinal, quando o efeito relevante é predominantemente tópico. Além disso, a I também é verdadeira, porque o excesso de fluoreto pode causar toxicidade aguda e crônica, o que torna essa combinação incompleta.
Gabarito: C
O fluoreto é um dos maiores aliados da cariologia porque atua principalmente de forma tópica, ou seja, na superfície do dente e no ambiente bucal. A ideia central não é mais aquela visão antiga de que ele funciona só depois de ser ingerido e incorporado ao esmalte. Hoje, o que mais importa é manter pequenas quantidades de flúor circulando na saliva e no fluido do biofilme, ajudando a reduzir a desmineralização e favorecer a remineralização. Por isso, a afirmativa III está correta: para controlar a cárie, é importante haver suprimento constante de baixos níveis de F nas fases fluidas do ambiente bucal. É exatamente esse efeito contínuo e local que faz a diferença no dia a dia, especialmente com dentifrícios fluoretados e outras fontes tópicas. A afirmativa I também está correta. O flúor pode ser tóxico quando ingerido em excesso, tanto de forma aguda quanto crônica. A forma aguda pode causar sintomas gastrointestinais e, em situações graves, alterações sistêmicas; já a exposição crônica excessiva pode levar, por exemplo, à fluorose dentária e, em casos mais intensos, à fluorose esquelética. Já a afirmativa II está errada porque a proteção anticárie do flúor não depende principalmente da ação sistêmica após absorção gastrointestinal. Essa era uma explicação histórica importante, mas o entendimento atual é que o principal benefício é tópico, no ambiente bucal. Assim, o gabarito C fica correto porque apenas I e III estão certas.