Segundo Andréa Neiva da Silva, a inserção da Odontologia no setor público aconteceu de forma lenta e, inicialmente, limitou-se a serviços precários, principalmente voltados para escolares. Os fundamentos da odontologia flexneriana assentam-se na noção de que as doenças bucais têm causa essencialmente biológica e, portanto, demandam exclusivamente atenção clínica individualizada. São consideradas as principais limitações dessa Odontologia, EXCETO:
- A)Alto custo e concepção mecanicista.
Correta como limitação, porque o modelo flexneriano tende a ser caro e mecanicista, dependente de tecnologia e de procedimentos individuais.
- B)Redução da doença à sua dimensão biológica.
Correta como limitação, pois reduz a doença bucal à dimensão biológica, ignorando a complexidade social do processo saúde-doença.
- C)Prática de alto custo, com pouco impacto epidemiológico.
Correta como limitação, já que esse tipo de prática costuma ter alto custo e pouco impacto epidemiológico na população.
- D)Ênfase em ações clínicas preventivas, curativas e psicossociais.
Errada, porque não expressa uma limitação da odontologia flexneriana; ao contrário, descreve uma abordagem mais ampliada, com ações preventivas, curativas e psicossociais.
Gabarito: D
A chamada odontologia flexneriana nasceu com forte foco no modelo biomédico: a doença bucal é vista quase só pelo lado biológico, e a resposta principal vira o atendimento clínico individual, de preferência curativo e restaurador. Na prática, isso costuma gerar uma odontologia mais cara, mais mecanicista e com pouca força para mudar, de verdade, os indicadores coletivos de saúde bucal. Por isso, quando a questão fala em limitações desse modelo, ela está apontando justamente para o excesso de centralidade na clínica e para a baixa efetividade epidemiológica. Esse modo de organizar o cuidado até pode incluir ações preventivas, mas elas aparecem de forma restrita e, em geral, subordinadas ao ato clínico. O ponto é que a lógica flexneriana não se apoia em uma visão ampliada do processo saúde-doença, nem em uma abordagem psicossocial consistente. Ela enxerga o problema como algo principalmente orgânico, deixando em segundo plano os determinantes sociais, culturais e comportamentais. A alternativa D está correta como resposta da questão porque ela traz uma característica que não é limitação, e sim uma ampliação do modelo: ênfase em ações clínicas preventivas, curativas e psicossociais. Isso contraria a essência da odontologia flexneriana, que é justamente mais reducionista e centrada na intervenção biológica individual. Em resumo: a banca quer que você perceba que o modelo clássico é limitado porque faz pouco, não porque faz demais. Esse raciocínio é coerente com a crítica doutrinária à odontologia tradicional no setor público, especialmente no debate da saúde bucal coletiva, que valoriza a integralidade, a promoção da saúde e a atuação sobre fatores além do consultório.