Qual das alternativas abaixo traz um aspecto relativo à paralisia facial temporária?
- A)Anestesia prolongada (24 horas após a administração). Mais de 95% das parestesias ocorrem na mandíbula com mais de 70% envolvendo o nervo lingual. Regridem em 6 semanas.
Errada, porque descreve parestesia e anestesia prolongada, que são complicações neurossensitivas, não paralisia facial temporária.
- B)Mais comum em crianças após bloqueio do NAI. O lábio e a língua permanecem anestesiados por muitas horas após o tratamento permitindo automutilação.
Errada, pois fala de automutilação por anestesia persistente em lábio e língua, quadro mais relacionado a bloqueio sensitivo prolongado, não a paralisia facial.
- C)A agulha penetra anteriormente, antes da borda anterior do ramo ascendente, atingindo as proximidades onde passa o nervo facial (motor).
Certa, porque a punção muito anterior pode levar o anestésico para a região da parótida e atingir o nervo facial, causando paralisia facial temporária.
- D)É um ferimento ou manchamento. Mais comum visto extraoralmente após bloqueio do nervo alveolar superior posterior. Requer aproximadamente 14 dias para seu desaparecimento completo.
Errada, porque mistura ferimento/manchamento e sangramento extraoral, complicação compatível com hematoma, não com paralisia facial.
- E)Espasmo de músculos mastigatórios visto após administração unilateral da técnica do bloqueio do nervo alveolar inferior.
Errada, pois espasmo de músculos mastigatórios após bloqueio do nervo alveolar inferior corresponde a trismo, e não a paralisia facial temporária.
Gabarito: C
A paralisia facial temporária é um acidente clássico da anestesia odontológica, quase sempre ligada a uma técnica mal executada na região do bloqueio do nervo alveolar inferior. Em vez de o anestésico ficar onde deveria, ele pode atingir a glândula parótida e anestesiar temporariamente o nervo facial, que é motor. O resultado pode ser queda da pálpebra, desvio da boca, dificuldade para fechar o olho e assimetria facial, geralmente reversível em poucas horas. O ponto importante é o mecanismo: não se trata de uma lesão definitiva do nervo, mas de uma difusão inadequada do anestésico para a área onde o nervo facial passa dentro da parótida. Por isso, o quadro assusta bastante, mas costuma desaparecer espontaneamente quando o efeito da droga passa. Em geral, o manejo é tranquilizar o paciente, proteger o olho se houver lagoftalmo e observar a regressão. O gabarito é a alternativa C porque ela descreve exatamente a situação anatômica que favorece esse acidente: a agulha foi introduzida muito anteriormente, antes da borda anterior do ramo da mandíbula, alcançando região próxima ao trajeto do nervo facial. Ou seja, a técnica saiu do trilho e o anestésico foi parar onde não devia. A banca costuma cobrar esse detalhe anatômico para testar se você sabe diferenciar complicações sensitivas de complicações motoras. Em prova, lembre da lógica: anestesia prolongada e parestesia apontam mais para lesão neurossensitiva, enquanto a paralisia facial temporária é um acidente motor, típico de difusão para a parótida. Se a face 'cai' logo após a anestesia, pense em erro de trajeto ou deposição indevida da solução anestésica.