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Geologia · FGV · 2025

Questão comentada de Geologia

Recentemente vem sendo comum o rompimento de barragens de rejeitos em vários locais do Brasil, com consequentes perdas de vidas humanas, severos danos ambientais e muitos prejuízos públicos e privados. Há vários fatores geológicos, geotécnicos e climatológicos que podem contribuir para essas rupturas de barragens. No que tange ao comportamento geotécnico no interior dessas barragens, a causa da ruptura se deve:

Gabarito: E

Quando se fala em ruptura de barragens de rejeitos, o ponto central do comportamento geotécnico costuma ser a estabilidade interna do maciço. Se a água passa a ocupar os vazios do solo e o material não consegue drenar adequadamente, a poropressão aumenta. Aí o solo perde parte da sua capacidade de suportar esforços e fica mais "mole" do ponto de vista resistente. É justamente isso que a banca quer cobrar: o aumento da poropressão reduz a tensão efetiva, que é a parcela da tensão que realmente "segura" os grãos entre si. Com menos tensão efetiva, cai a resistência ao cisalhamento e o material pode entrar em condição de instabilidade progressiva. Em casos extremos, esse processo pode levar à liquefação, isto é, o rejeito passa a se comportar quase como um fluido. Parece exagero, mas é esse efeito que explica muitas rupturas súbitas e catastróficas de barragens de rejeitos, especialmente quando há saturação, drenagem deficiente e carregamentos desfavoráveis. Por isso o gabarito é a letra E. Ela descreve corretamente a relação geotécnica clássica: aumento da poropressão, redução da resistência cisalhante e, por fim, possibilidade de liquefação. As demais alternativas misturam conceitos de erosão superficial, cimentação ou medidas estruturais que não traduzem o mecanismo interno principal da ruptura.

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