Recentemente vem sendo comum o rompimento de barragens de rejeitos em vários locais do Brasil, com consequentes perdas de vidas humanas, severos danos ambientais e muitos prejuízos públicos e privados. Há vários fatores geológicos, geotécnicos e climatológicos que podem contribuir para essas rupturas de barragens. No que tange ao comportamento geotécnico no interior dessas barragens, a causa da ruptura se deve:
- A)à ineficiência do cimento misturado ao solo durante o tempo de execução do aterro, que se liquefaz devido ao aumento de umidade em períodos de chuvas intensas;
Errada, porque a ruptura por liquefação não decorre de "cimento misturado ao solo" nem de aumento de umidade com essa causa descrita.
- B)ao excesso de chuva em períodos extremos, o que promove erosão superficial dos aterros muito íngremes, resultando na lixiviação do corpo do talude;
Errada, pois trata de erosão superficial por chuva, que pode agravar taludes, mas não explica o mecanismo geotécnico interno pedido.
- C)à falta de enrocamento no talude, que garantiria o contrapeso necessário para a estabilidade do aterro ao longo do tempo de atuação da mineração;
Errada, porque a ausência de enrocamento não é a causa típica do colapso por perda de resistência interna do rejeito.
- D)ao contato da água da chuva com os rejeitos, que, ao longo do tempo de atuação da mineração, sofrem lixiviação até perder a cimentação e permitir a erosão dos taludes;
Errada, já que mistura lixiviação e perda de cimentação com um processo de erosão ao longo do tempo, sem apontar o mecanismo geotécnico central.
- E)ao aumento da poropressão da água no interior dos vazios do solo do corpo do aterro, que induz a uma redução da resistência cisalhante até o material atingir a liquefação.
Certa, porque o aumento da poropressão reduz a tensão efetiva e a resistência ao cisalhamento, podendo levar o material à liquefação.
Gabarito: E
Quando se fala em ruptura de barragens de rejeitos, o ponto central do comportamento geotécnico costuma ser a estabilidade interna do maciço. Se a água passa a ocupar os vazios do solo e o material não consegue drenar adequadamente, a poropressão aumenta. Aí o solo perde parte da sua capacidade de suportar esforços e fica mais "mole" do ponto de vista resistente. É justamente isso que a banca quer cobrar: o aumento da poropressão reduz a tensão efetiva, que é a parcela da tensão que realmente "segura" os grãos entre si. Com menos tensão efetiva, cai a resistência ao cisalhamento e o material pode entrar em condição de instabilidade progressiva. Em casos extremos, esse processo pode levar à liquefação, isto é, o rejeito passa a se comportar quase como um fluido. Parece exagero, mas é esse efeito que explica muitas rupturas súbitas e catastróficas de barragens de rejeitos, especialmente quando há saturação, drenagem deficiente e carregamentos desfavoráveis. Por isso o gabarito é a letra E. Ela descreve corretamente a relação geotécnica clássica: aumento da poropressão, redução da resistência cisalhante e, por fim, possibilidade de liquefação. As demais alternativas misturam conceitos de erosão superficial, cimentação ou medidas estruturais que não traduzem o mecanismo interno principal da ruptura.