As contaminações das águas subterrâneas podem ter origens diversas, sendo mais comuns atualmente as relacionadas a atividades industriais, domésticas e agrícolas. A vulnerabilidade de um aquífero pode ser caracterizada em função da acessibilidade hidráulica à penetração de contaminantes até a zona saturada do solo e da capacidade de atenuação dos contaminantes por retenção ou reações físico-químicas. Considerando a contaminação e a vulnerabilidade de aquíferos, assinale a alternativa correta.
- A)A contaminação de aquíferos ocorrerá quando os poluentes atingirem a “zona intermediária” do solo caso sejam quimicamente persistentes e tiverem concentrações suficientes para que possam superar a capacidade de atenuação dos materiais sobrejacentes.
Errada, porque a contaminação não depende de o poluente atingir apenas a zona intermediária, mas de alcançar a zona saturada e superar a capacidade de atenuação do meio.
- B)Na avaliação de vulnerabilidade de um aquífero, é imprescindível determinar o tempo de trânsito que a água leva para percorrer certa distância no perfil do solo. Isso é particularmente importante para poluentes muito persistentes, como vírus, bactérias e compostos orgânicos biodegradáveis.
Errada, porque vírus e bactérias não são poluentes muito persistentes, e a avaliação de vulnerabilidade não se resume ao tempo de trânsito em todos os casos.
- C)As zonas saturadas com fluxo regional de aquíferos confinados profundos possuem rápida velocidade de fluxo sob condições anaeróbias e conexão virtualmente não existente com a superfície do terreno, podendo ter altas taxas de poluentes em circulação.
Errada, porque aquíferos confinados profundos tendem a ter pouca conexão com a superfície e fluxo mais lento, não rápido, além de não serem tipicamente descritos por alta circulação de poluentes.
- D)A atenuação de uma pluma contaminante, quando esta atravessa uma zona de saturação do solo e (ou) um aquitardo, pode, em função do tipo de poluente, englobar um ou mais processos de dispersão, retardação e degradação da massa de contaminante.
Certa, porque a pluma contaminante pode sofrer dispersão, retardação e degradação ao atravessar a zona saturada do solo e/ou um aquitardo.
- E)As infiltrações através de zonas não saturadas de águas de chuvas em depósitos de resíduos sólidos ou de rejeitos de mineração consistem em processos de contaminações diretas de aquíferos, aumentando a vulnerabilidade dessas estruturas.
Errada, porque a infiltração em zona não saturada não é contaminação direta do aquífero, já que ainda existe o percurso e a possível atenuação antes de atingir a água subterrânea.
Gabarito: D
Quando falamos em contaminação de aquíferos, a ideia central é simples: o poluente precisa vencer o caminho até a zona saturada e, nesse percurso, pode ser barrado, retardado ou até degradado pelo solo e pelas rochas. Por isso, a vulnerabilidade de um aquífero depende tanto da facilidade de o contaminante chegar até a água quanto da capacidade natural de o meio geológico “segurar o rojão”. A alternativa correta é a D porque descreve exatamente essa lógica de atenuação natural da pluma contaminante. Ao atravessar a zona não saturada, a zona de saturação do solo ou um aquitardo, o contaminante pode sofrer dispersão, retardação e degradação, processos que diminuem sua concentração e seu alcance. Isso é base clássica de hidrogeologia e da avaliação de vulnerabilidade, como nos métodos DRASTIC e GOD, que valorizam profundidade do nível d’água, material de cobertura e capacidade de atenuação. Em outras palavras: nem todo poluente que entra no solo chega inteiro ao aquífero. Alguns ficam presos, outros se espalham, e alguns são transformados quimicamente ou biologicamente. A pergunta cobra justamente essa diferença entre “chegar ao solo” e “conseguir contaminar a água subterrânea”. Se quiser uma regra de prova: zona não saturada, aqüitardo e solo não são apenas “passagens”; eles podem funcionar como filtros naturais. A banca gosta de trocar esse detalhe por afirmações absolutas, então fique atento ao papel de retenção e de reações físico-químicas.