Dentre as várias tipologias de riscos geológicos, destacam-se, no território brasileiro, as ocorrências de movimentos de massa. Para os municípios que frequentemente sofrem esse tipo de fenômeno geológico, demanda-se que tenham, em suas defesas civis, profissionais habilitados para análises de riscos, em especial, os geólogos. Quando há possibilidade de deslizamentos em uma encosta composta por solo, o geólogo busca fazer um conjunto de indagações no local da análise, a fim de gerar uma decisão de campo passível até mesmo da interdição de imóveis. Quando se trata de análises de deslizamentos, uma das características mais importantes dos solos é o fato de que:
- A)a pressão total exerce o controle da ruptura, pois o peso de material sobre a área afetada gera a mobilização;
Errada, porque pressão total não é o fator que controla diretamente a ruptura do solo; o que importa é a tensão efetiva no esqueleto sólido.
- B)a tensão total exerce o controle da ruptura, pois a massa de material sobre a área afetada gera a mobilização;
Errada, porque a tensão total sozinha não explica a ruptura, já que a resistência do solo depende da parcela efetivamente transmitida entre os grãos.
- C)a lubrificação pela água na fase sólida exerce o controle da ruptura, sendo a chuva definitiva na mobilização;
Errada, porque a água não atua como “lubrificação” decisiva na fase sólida como regra geral; o ponto central é a redução da tensão efetiva pela pressão nos poros.
- D)a tensão cisalhante é transmitida pela fase sólida, uma vez que a água não resiste a tensões cisalhantes;
Certa, porque a resistência ao cisalhamento em solos é transmitida pela fase sólida, e a água não resiste a tensões cisalhantes.
- E)a maior espessura do material da encosta produz rupturas, já que a fase sólida não transmite tensões normais.
Errada, porque maior espessura pode aumentar o peso e a solicitação, mas a ruptura não ocorre porque a fase sólida deixaria de transmitir tensões normais.
Gabarito: D
Em análise de deslizamentos em encostas com solo, a ideia central é lembrar que o solo não se comporta como uma massa única e “moleza geral”. Ele é um sistema trifásico: sólidos, água e ar. Quem realmente forma a estrutura resistente é a fase sólida, e é nela que as tensões cisalhantes são transmitidas. A água, em geral, ajuda a alterar o peso e a pressão nos poros, mas não é ela que sustenta o cisalhamento do terreno. Por isso, em estabilidade de taludes, o geólogo olha com atenção para a água no solo. Quando aumenta a pressão da água nos poros, diminui a tensão efetiva entre os grãos, e o material fica mais propenso a escorregar. É a clássica lógica de Mecânica dos Solos: o que interessa para a resistência ao cisalhamento não é só o peso total da encosta, mas quanto desse esforço está realmente sendo suportado pelo esqueleto sólido. A alternativa D está correta porque afirma exatamente isso: a tensão cisalhante é transmitida pela fase sólida, já que a água não resiste a tensões cisalhantes. Esse é o fundamento usado nas análises de estabilidade de encostas e está alinhado com a abordagem consagrada da Mecânica dos Solos, especialmente a noção de tensão efetiva associada a Terzaghi. As demais alternativas confundem pressão total, tensão total e o papel da água. Em prova da FGV, esse tipo de troca de termos costuma aparecer como pegadinha clássica: parece técnico, mas basta lembrar quem realmente “segura” o esforço de cisalhamento para não cair.