Uma equipe de planejamento urbano está desenvolvendo um plano diretor para uma cidade localizada em uma região montanhosa. A topografia acidentada e a necessidade de otimizar a infraestrutura urbana, como vias de acesso e sistemas de drenagem, exigem uma análise detalhada do relevo. A equipe busca uma ferramenta que possa auxiliar na identificação de áreas de risco, no planejamento de novas construções e na otimização do traçado de vias. Nesse contexto, a utilização de Modelos Digitais de Elevação (MDEs) derivados da missão SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) é fundamental porque permite:
- A)a modelagem da propagação de ondas sonoras, auxiliando no planejamento de áreas de lazer e espaços urbanos que considerem o conforto acústico da população;
Errada, porque propagação de ondas sonoras envolve acústica urbana, e não a leitura do relevo por MDE.
- B)o mapeamento da infraestrutura subterrânea, como redes de gás e dutos, auxiliando no planejamento da expansão urbana e evitando interferências em projetos de construção;
Errada, porque redes subterrâneas são mapeadas por levantamentos específicos, não por modelos digitais de elevação.
- C)a medição da capacidade de retenção hídrica do solo, identificando áreas com maior potencial para a infiltração de água e otimizando o planejamento de sistemas de drenagem;
Errada, porque retenção hídrica do solo depende de propriedades pedológicas e não é o principal objetivo de um MDE.
- D)a análise da distribuição de poluentes atmosféricos, auxiliando na identificação de áreas com maior vulnerabilidade à poluição e direcionando medidas de controle ambiental;
Errada, porque distribuição de poluentes atmosféricos é tema de meteorologia e qualidade do ar, não de modelagem topográfica.
- E)a identificação de áreas com variações de declividade, possibilitando o planejamento de construções que minimizem o risco de deslizamentos e otimizando o traçado de vias de acesso e sistemas de drenagem.
Certa, porque o MDE mostra a forma do relevo e permite analisar declividade, risco de deslizamentos, traçado de vias e drenagem.
Gabarito: E
Modelos Digitais de Elevação (MDEs) representam a altimetria do terreno em formato digital, como se fosse um “relevo em versão computacional”. Com dados como os da missão SRTM, voce consegue enxergar onde o terreno sobe, desce, fica íngreme ou mais suave, o que é ouro puro para planejamento urbano em área montanhosa. Em geologia aplicada e geomorfologia, isso ajuda a entender o comportamento do relevo e a antecipar problemas ligados à estabilidade de encostas e ao escoamento da água. Na prática, um MDE permite gerar mapas de declividade, hipsometria, curvatura e direção de fluxo. Esses produtos são essenciais para identificar áreas com maior risco de deslizamento, orientar onde construir com mais segurança e definir trajetos de vias que evitem rampas excessivas ou cortes perigosos no terreno. Também ajuda no desenho de sistemas de drenagem, porque a água “segue a gravidade” e o relevo mostra o caminho preferencial do escoamento. Por isso, o gabarito é a alternativa E: ela descreve exatamente o uso mais clássico de um MDE em ambiente urbano montanhoso, que é analisar variações de declividade para apoiar decisões de engenharia e reduzir riscos geotécnicos. A missão SRTM, por sinal, é uma das bases mais usadas para esse tipo de análise por oferecer cobertura ampla e consistente do terreno. As demais alternativas tentam desviar para temas que não dependem diretamente de relevo, como som, poluição atmosférica ou infraestrutura subterrânea. Aqui, o foco da questão é simples: se o problema é terreno, encosta e drenagem, o MDE entra em cena com força total.