O arranjo da matriz litológica, um indicador espacial que caracteriza a orientação dos minerais no interior da rocha, é passível de ser medido com bússola geológica. Essa característica serve ao trabalho de campo do geólogo na condução de perícias em que se deseja saber se houve ou não a movimentação de um bloco em relação ao maciço rochoso. As rochas que permitem essa abordagem são:
- A)definidas pela cristalização em ambientes aquosos que compõem acamamentos reliquiares espessos produzidos por diagênese;
Errada, porque descreve rochas sedimentares formadas em ambiente aquoso e diagenético, não o arranjo mineral orientado típico de rochas metamórficas.
- B)formadas por estratificações cruzadas acanaladas decorrentes de deposição de clastos angulosos devido aos processos marinhos;
Errada, pois fala de estratificação cruzada em depósitos clásticos, uma estrutura sedimentar que não expressa a orientação mineral interna procurada na questão.
- C)geradas pelos efeitos da elevação de temperatura e tensão de rochas preexistentes, que caracterizam o metamorfismo regional;
Certa, porque o metamorfismo regional, com temperatura e tensão orientada, gera foliação e alinhamento de minerais que podem ser medidos em campo.
- D)produzidas pela cristalização de grãos durante o resfriamento do magma em diápiros localizados no interior da crosta continental;
Errada, já que cristalização do magma em diápiros produz rochas ígneas, que não são o alvo clássico dessa análise de orientação mineral para perícia estrutural.
- E)constituídas em sistemas deltaicos com estratificações cruzadas sigmoidais devido ao contato de rios com plataformas rasas.
Errada, porque sistemas deltaicos e estratificações cruzadas sigmoidais são estruturas sedimentares, não um indicador de foliação mineral em rochas metamórficas.
Gabarito: C
A questão fala de uma propriedade estrutural das rochas chamada foliação, isto é, o alinhamento preferencial de minerais ou de planos internos da rocha. Em campo, o geólogo mede essa orientação com bússola geológica para entender direção e mergulho das estruturas. Isso é muito útil em perícias, porque se um bloco foi deslocado, a orientação original dessas estruturas pode mostrar a diferença em relação ao maciço rochoso ao redor. Esse tipo de leitura é típico de rochas metamórficas, sobretudo as que sofreram pressão dirigida e aumento de temperatura. Nelas, os minerais podem se reorientar e formar xistosidade, clivagem ardosiana ou bandamento gnáissico, criando um arranjo espacial que funciona como uma espécie de “régua natural” para o trabalho de campo. Por isso o gabarito é a letra C: o metamorfismo regional atua com calor e tensão orientada, reorganizando os minerais e gerando estruturas planares ou lineares que podem ser medidas e comparadas. Em termos práticos, é esse comportamento que permite ao geólogo verificar se houve rotação, basculamento ou deslocamento de blocos. As demais alternativas descrevem rochas sedimentares ou ígneas, que podem ter outras estruturas, mas não são as mais adequadas para esse tipo de análise estrutural com bússola geológica. A banca costuma cobrar exatamente essa associação: orientação mineralógica, foliação e metamorfismo andando juntos como um trio bem comportado.