Nos últimos anos, muito se fala sobre mudanças climáticas e transição energética. A busca pelo substituto dos combustíveis fosseis, além da crescente e continua emissão de CO2 na atmosfera, forçou uma maior e melhor relação da geologia com as áreas de engenharia. Trabalhos recentes (Cartier, 2020; Raza et al., 2022) sugerem a estocagem do CO2 em basaltos como uma forma segura e a longo prazo. (Fonte: Raza, A. Glatz, G., Gholami, R., Mahmoud, M., Alafnan, S. Carbon mineralization and geological storage of CO2 in basalt: Mechanisms and technical challenges, Earth-Science Reviews. 2022. doi.org/10.1016/j.earscirev.2022.104036. Cartier, K. M. S. (2020), Basalts turn carbon into stone for permanent storage, Eos, 101, doi.org/10.1029/2020EO141721. Published on 20 March 2020. Acessado em 27/10/2022.) Nesse contexto, assinale a opção que indica a forma mineral mais estável para estocar CO2 num sistema fechado.
- A)Silicato – quartzo.
Errada: quartzo é um silicato muito estável, mas não é a forma mineral de fixação do CO2.
- B)Carbonato – calcita.
Certa: a calcita é um carbonato estável e pode representar o produto final da mineralização do CO2.
- C)Sulfato – anidrita.
Errada: anidrita é um sulfato e não é a forma mais estável para aprisionar carbono.
- D)Cloreto – halita.
Errada: halita é um cloreto, relacionada ao sal-gema, e não ao armazenamento mineral estável de CO2.
- E)Silicato – feldspato.
Errada: feldspato é um silicato comum em rochas, mas não é o mineral final mais estável para estocar CO2.
Gabarito: B
Quando se fala em estocagem geológica de CO2, a ideia é transformar o gás em algo menos “fujão” e mais estável ao longo do tempo. Em sistemas fechados, a forma mais segura é aquela em que o carbono fica preso como mineral sólido, reduzindo muito a chance de retorno para a atmosfera. É por isso que a mineralização é tão interessante: o CO2 reage com a rocha e vira um composto sólido, em vez de ficar apenas dissolvido ou aprisionado fisicamente. Entre os minerais, os carbonatos são os campeões de estabilidade para esse fim. A calcita, por exemplo, é um carbonato muito estável e abundante, formado quando o CO2 reage com cátions como cálcio. Em basaltos, que são rochas ricas em minerais máficos, há justamente bastante cálcio, magnésio e ferro disponíveis para esse tipo de reação. Assim, o carbono pode ser fixado por longos períodos como calcita, magnesita e outros carbonatos. Já silicatos, sulfatos e cloretos não representam a forma final mais estável de armazenamento do carbono. Silicatos podem até participar de reações de alteração, mas não são a forma mineral em que o CO2 fica mais seguramente imobilizado. Na prática, o raciocínio geológico é simples: se o objetivo é prender o carbono “para valer”, você quer um mineral que já seja o produto final da reação e que tenha grande estabilidade termodinâmica. Por isso o gabarito é a letra B. A calcita é um carbonato e representa justamente a forma mineral estável em que o CO2 pode ser estocado em um sistema fechado, com grande durabilidade geológica.