Considerando que ensaios não destrutivos são amplamente empregados na indústria para detectar e avaliar falhas e descontinuidades nos materiais sem provocar alterações em sua forma e propriedades, assinale a afirmativa correta.
- A)Para serem detectáveis por radiografia, rachaduras devem estar orientadas perpendicularmente ao feixe de radiação.
Errada, porque trincas só aparecem bem na radiografia quando sua orientação favorece a absorção diferencial do feixe, e não simplesmente por estarem perpendiculares a ele.
- B)No ensaio por ultrassom, feixes de ondas sonoras de baixa frequência são introduzidos para a detecção de falhas superficiais e subsuperficiais.
Errada, porque o ultrassom usa ondas de alta frequência, não baixa, para detectar descontinuidades internas e subsuperficiais.
- C)O ensaio por corrente parasita é baseado nos princípios da indução eletromagnética e pode ser usado para inspecionar apenas metais ferromagnéticos.
Errada, porque corrente parasita se baseia em indução eletromagnética, mas pode inspecionar principalmente materiais condutores, inclusive não ferromagnéticos, e não apenas ferromagnéticos.
- D)Por meio do ensaio por líquido penetrante, indicações de um amplo espectro de tamanhos podem ser encontradas dependendo das orientações das falhas.
Errada, porque o líquido penetrante detecta apenas descontinuidades abertas à superfície, e a orientação influencia a visibilidade, mas não permite esse tipo de abrangência descrita.
- E)No ensaio de emissão acústica, o sinal tem origem no próprio material, não em uma fonte externa de energia; o teste pode ser realizado com a estrutura em operação.
Certa, porque na emissão acústica o sinal é gerado pelo próprio material sob solicitação e a inspeção pode ser feita com a estrutura em operação.
Gabarito: E
Os ensaios não destrutivos (END) servem para investigar defeitos sem “machucar” a peça, o que os torna muito úteis em soldas, estruturas, tubulações e componentes críticos. A grande sacada é escolher o método certo para o tipo de descontinuidade: algumas técnicas enxergam melhor falhas internas, outras captam aberturas na superfície, e outras detectam atividade do próprio material quando ele está em uso. Na emissão acústica, o material funciona quase como um “alguém reclamando sob esforço”: quando ele sofre deformação, trinca, atrito interno ou liberação de energia, emite ondas elásticas que são captadas por sensores. O ponto importante é que o sinal nasce na própria peça, não de uma fonte externa, e o ensaio pode ser feito com a estrutura operando ou sob carga. Por isso, ele é muito usado em tanques, vasos de pressão e estruturas grandes, onde parar tudo seria caro demais. Isso explica o gabarito da letra E: o enunciado descreve corretamente a emissão acústica. A técnica não depende de iluminar, magnetizar ou “banhar” a peça com um agente externo para gerar o sinal, porque o próprio defeito em crescimento ou a solicitação mecânica produz a emissão detectada. As demais alternativas misturam conceitos de outros ENDs: radiografia e ultrassom dependem muito da orientação da falha; corrente parasita não é exclusiva de materiais ferromagnéticos; e líquido penetrante é restrito a defeitos abertos à superfície, sem essa ideia de amplo espectro de tamanhos por orientação.