A forma superficial de uma bacia hidrográfica influencia no tempo de transformação da chuva em escoamento superficial direto e sua constatação na seção de controle, ou seja, influencia no tempo de concentração da bacia. Considerando bacias de mesma área e que geram a mesma quantidade de escoamento (deflúvio), aquela que possuir menor tempo de concentração, deve apresentar maior vazão máxima. Portanto espera-se que
- A)bacias circulares apresentem fluxo mais distribuído em relação a uma bacia elipsoidal e, portanto, cheias de menor impacto (menores vazões máximas).
Errada, porque a bacia circular tende a concentrar melhor as contribuições de chuva e, em geral, gera cheias mais intensas, não menores.
- B)bacias circulares e elipsoidais de mesma área apresentam fluxo similares e, consequentemente, semelhança nas cheias.
Errada, porque a forma da bacia altera sim o tempo de concentração e o padrão da cheia; não são fluxos necessariamente similares.
- C)a relação do perímetro da bacia com uma circunferência de área igual à da própria bacia, tem valores mais elevados em bacias maior propensão à grandes enchentes.
Errada, porque um perímetro maior em relação à área não é, por si só, o indicador principal de maior propensão a grandes enchentes nesta lógica da questão.
- D)a relação entre a largura média da bacia e seu comprimento axial tem valores mais elevados em bacias com menor propensão à grandes enchentes.
Errada, porque uma maior relação largura média/comprimento axial indica bacia mais “aberta” e menos alongada, o que tende a reduzir o tempo de concentração, não a aumentar a proteção contra cheias.
- E)bacias elipsoidais apresentem fluxo mais distribuído em relação a uma bacia circular e, portanto, cheias de menor impacto (menores vazões máximas).
Certa, porque a bacia elipsoidal é mais alongada, distribui o escoamento ao longo do tempo e costuma produzir menor vazão máxima que a circular.
Gabarito: E
A forma da bacia hidrográfica importa porque ela mexe com o caminho que a água da chuva precisa percorrer até chegar ao exutório. Quanto mais curta e “apertada” for essa viagem, menor tende a ser o tempo de concentração, e aí o pico de vazão aparece mais rápido e mais alto. É como organizar uma fila: quando todo mundo chega quase ao mesmo tempo, o empurra-empurra aumenta o pico. Nas bacias mais circulares, as contribuições de chuva chegam à seção de controle de forma mais simultânea. Isso reduz o espalhamento do escoamento no tempo e favorece vazões máximas maiores. Já nas bacias mais alongadas, como as elipsoidais, a água sai de partes diferentes da bacia em momentos diferentes, o que “espalha” o fluxo ao longo do tempo. Por isso, para bacias de mesma área e com o mesmo volume total escoado, a bacia elipsoidal tende a ter maior tempo de concentração e menor vazão máxima do que a circular. Esse raciocínio é clássico em hidrologia aplicada, especialmente quando se estuda forma da bacia, tempo de concentração e resposta a eventos de chuva. Logo, a alternativa E está correta porque a bacia elipsoidal distribui melhor o escoamento no tempo, reduzindo o pico de cheia. Em provas, a banca costuma cobrar exatamente essa relação: forma mais alongada = resposta mais lenta = pico menor.