Para a recuperação de áreas degradadas por meio do uso de espécies nativas, não basta realizar o plantio propriamente dito da muda em campo. São necessárias algumas etapas antes do plantio, assim como a sua manutenção por determinado período. Para a manutenção de um plantio com espécies nativas em uma área rural sob processo de recuperação de área degradada:
- A)é proibida qualquer intervenção referente ao controle de plantas daninhas após a realização do plantio;
Errada: o controle de plantas daninhas pode e deve ser feito na manutenção do plantio, porque a competição por luz, água e nutrientes compromete a sobrevivência das mudas.
- B)é permitida a utilização de herbicida à base de glifosato para o controle de plantas daninhas, desde que o produto seja registrado na Anvisa;
Errada: o uso de glifosato não é liberado apenas por estar registrado na Anvisa; o manejo com herbicidas depende de regras ambientais, agronômicas e do receituário/registro adequado para a finalidade.
- C)é proibido o uso de fertilizantes à base de nitrogênio e potássio, uma vez que esses nutrientes são muito móveis no solo;
Errada: não existe proibição geral de fertilizantes nitrogenados e potássicos na recuperação, desde que a adubação seja tecnicamente justificada e compatível com o projeto.
- D)é proibido o controle de pragas e doenças, uma vez que, após o plantio, as mudas devem resistir às adversidades do campo;
Errada: o controle de pragas e doenças pode ser necessário na fase de manutenção, pois a restauração não dispensa proteção fitossanitária das mudas.
- E)é permitido o plantio de mudas de espécies não contempladas no plantio inicial, com o intuito de enriquecimento e ou adensamento.
Certa: o enriquecimento e/ou adensamento com novas espécies é uma prática aceita na restauração para complementar falhas, aumentar diversidade e melhorar o sucesso do plantio.
Gabarito: E
Na recuperação de áreas degradadas com espécies nativas, o plantio não termina no “buraco da muda”. Depois de plantar, vem a fase de manutenção, que costuma ser a mais decisiva: controle de plantas competidoras, replantio de falhas, combate a formigas, monitoramento de pragas e doenças e, quando necessário, enriquecimento do povoamento. Em outras palavras, a área precisa de cuidados para a vegetação se estabelecer de verdade. Em projetos de restauração ecológica, é comum prever o adensamento e o enriquecimento, isto é, inserir novas mudas para aumentar a densidade ou complementar a diversidade do plantio. Isso é compatível com a lógica de recuperação, porque nem sempre todas as espécies entram na primeira etapa ou se desenvolvem no mesmo ritmo. Por isso, o gabarito está na alternativa E: o plantio de espécies não contempladas inicialmente pode ser permitido quando serve para enriquecimento e/ou adensamento. Essa prática aparece na rotina de restauração e é coerente com a ideia de sucesso do plantio ao longo do tempo, e não apenas no dia do plantio. Já a manutenção de área degradada exige manejo ativo, não passividade. A área não “se recupera sozinha por teimosia”. Ela precisa de intervenção técnica para vencer a competição com invasoras e para alcançar a composição desejada do ecossistema restaurado.