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Engenharia Florestal · FGV · 2025

Questão comentada de Engenharia Florestal

A madeira é historicamente utilizada pela humanidade em diversas situações. No entanto, ao utilizarmos esse material em certas ocasiões e para determinados objetivos, a sua característica de anisotropia pode gerar uma série de inconvenientes, principalmente em locais em que a umidade do ambiente interfira nas suas dimensões ao longo do tempo, seja pela absorção ou pela perda de água. Esses acontecimentos podem variar de local para local e em função do tipo de madeira utilizada. Em relação a esse tema, analise a imagem a seguir, que é a representação tridimensional de uma peça de madeira, ilustrando três planos. Com base na observação da peça de madeira ilustrada acima e considerando sua característica anisotrópica, é correto afirmar que os lados A, B e C terão suas dimensões aumentadas:

Gabarito: C

A madeira não “incha por igual” como se fosse uma esponja uniforme: ela é anisotrópica, ou seja, reage de forma diferente conforme a direção das fibras. Por isso, quando absorve ou perde água, as variações dimensionais não são iguais nos três sentidos principais da peça. Em termos práticos, a madeira tende a variar mais na direção tangencial, depois na radial, e quase nada na longitudinal. O ponto-chave da questão é o ponto de saturação das fibras. Abaixo dele, a água sai ou entra nas paredes celulares e aí ocorre a variação dimensional, isto é, o inchamento ou a retração. Acima desse ponto, a água ocupando os vazios da madeira não provoca alteração relevante nas dimensões. Então a mudança de tamanho acontece quando a umidade está abaixo do ponto de saturação das fibras. Como os lados A, B e C representam direções diferentes da peça de madeira, eles não aumentam igualmente. Cada direção responde de um jeito ao ganho de umidade, exatamente por causa da anisotropia. É por isso que o gabarito é a alternativa C: o aumento dimensional é desigual, desde que a umidade inicial esteja abaixo do ponto de saturação das fibras. Em resumo: madeira úmida não é “tijolo com saudade de água”, porque ela se mexe de forma direcional. Essa é uma noção clássica de tecnologia da madeira, muito cobrada em provas quando a banca quer misturar anisotropia com ponto de saturação das fibras.

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