Para a execução no canteiro de obras de elementos pré-fabricados de concreto com cura convencional e desforma rápida foi especificado o cimento tipo CP V-ARI. Entretanto, por falta de disponibilidade desse tipo no mercado local, o construtor substituiu-o pelo cimento CP III. Sabendo-se que o engenheiro fiscal da obra autorizou a substituição, pode-se afirmar que a sua atitude foi:
- A)correta, pois o Cimento Portland pozolânico (CP III) possui teores similares de fíler calcário;
Errada, porque o CP III não é cimento pozolânico nem tem como característica principal teores similares de fíler calcário.
- B)correta, pois o Cimento Portland de Alto-Forno (CP III) também apresenta alto calor de hidratação inicial;
Errada, porque o CP III não se destaca por alto calor de hidratação inicial; na verdade, ele tende a reduzir esse calor.
- C)correta, pois o CP III também apresenta baixo teor de escória granulada de alto-forno;
Errada, porque o CP III não possui baixo teor de escória granulada de alto-forno, e sim teor elevado desse material.
- D)incorreta, pois o CP III apresenta menor resistência aos agentes externos agressivos;
Errada, porque o CP III costuma ter bom desempenho frente a agentes agressivos, justamente por causa da escória.
- E)incorreta, pois o CP III não apresenta alta resistência à compressão nos primeiros dias.
Certa, porque o CP III tem menor resistência mecânica nos primeiros dias do que o CP V-ARI, o que o torna inadequado para desforma rápida.
Gabarito: E
O ponto central aqui é a relação entre o tipo de cimento e a velocidade de ganho de resistência. O CP V-ARI foi especificado porque ele é o Cimento Portland de Alta Resistência Inicial, ou seja, ganha resistência muito rápido, o que ajuda na cura convencional e principalmente na desforma rápida de peças pré-fabricadas. Já o CP III é o Cimento Portland de Alto-Forno. Ele tem maior teor de escória granulada de alto-forno, o que costuma melhorar o comportamento em ambientes mais agressivos e reduzir o calor de hidratação, mas isso vem com uma desvantagem importante: o ganho de resistência nos primeiros dias é mais lento. Por isso, em pré-fabricados com desforma rápida, trocar CP V-ARI por CP III não é uma substituição equivalente. O fiscal não deveria ter autorizado a troca, porque a peça pode não atingir a resistência inicial necessária no prazo desejado, comprometendo o ciclo de produção e a segurança da desforma. Em termos práticos, a banca quer que você associe: CP V-ARI = pressa; CP III = paciência. Quando a obra pede resistência alta logo no começo, o CP III não entrega essa corrida curta.