Uma Estação de Tratamento de Esgoto, buscando tratar a DBO do efluente, foi concebida em um esquema composto por dois reatores em sequência: uma lagoa facultativa primária e uma secundária. A vazão afluente na lagoa primária é de 1.500 m3/dia e a concentração de DBO5,20°C nesse fluxo é de 400 mg/L. A eficiência de remoção da DBO (solúvel e em suspensão) da lagoa primária é de 75,0%. Sabendo-se que a taxa de aplicação superficial da lagoa facultativa secundária é de 125 kg DBO/(ha.dia), a área superficial da lagoa facultativa secundária é de:
- A)6.000 m2 ;
Errada, porque 6.000 m2 corresponderiam a apenas 0,6 ha, o que não suporta a carga remanescente calculada.
- B)7.500 m2 ;
Errada, pois 7.500 m2 equivalem a 0,75 ha e ainda ficam abaixo da área necessária pela taxa de aplicação.
- C)9.000 m2 ;
Errada, porque 9.000 m2 representam 0,9 ha, insuficientes para a carga que chega à lagoa secundária.
- D)10.500 m2 ;
Errada, já que 10.500 m2 correspondem a 1,05 ha, mas a divisão da carga remanescente pela taxa ainda exige área maior.
- E)12.000 m2 .
Certa, porque a carga que chega à segunda lagoa é 150 kg DBO/dia e, dividindo pela taxa de 125 kg/(ha.dia), resulta em 1,2 ha, ou 12.000 m2.
Gabarito: E
Em lagoas facultativas em série, a conta costuma seguir uma lógica bem direta: primeiro você calcula a carga orgânica que entra, depois aplica a eficiência de remoção da etapa anterior e, por fim, usa a taxa de aplicação superficial da lagoa seguinte para achar a área. Nada de mistério, só organização. Aqui, a vazão é 1.500 m3/dia e a DBO é 400 mg/L, o que equivale a 0,4 kg/m3. Então a carga afluente na lagoa primária é 600 kg DBO/dia. Se a lagoa primária remove 75%, sobra 25% da carga para a lagoa secundária. Logo, a carga remanescente é 150 kg DBO/dia. É essa massa que a segunda lagoa precisa suportar pela taxa de aplicação superficial informada. Como a taxa da lagoa secundária é 125 kg DBO/(ha.dia), basta dividir 150 por 125. O resultado é 1,2 ha, ou seja, 12.000 m2. Por isso o gabarito é a alternativa E. Em concursos, essa conversão de unidade costuma ser a “casca de banana” clássica: 1 ha = 10.000 m2. Esse raciocínio é compatível com o dimensionamento simplificado de lagoas facultativas usado em saneamento, em linha com a prática de projeto ensinada na bibliografia técnica de tratamento de esgotos, como Metcalf & Eddy e manuais de saneamento.