Durante a construção de um pequeno prédio de dois pavimentos no município de Carangola, a equipe técnica está supervisionando a execução das estruturas que incluem muros de arrimo, lajes, vigas e pilares. Durante a inspeção, o fiscal de obras observa alguns aspectos que podem comprometer a segurança da estrutura de acordo com a situação hipotética: • O muro de arrimo, com 3 metros de altura, está apresentando sinais de infiltração, o que pode aumentar a pressão do solo; • A laje do segundo pavimento, com vão de 4 metros, foi concretada recentemente, e notou-se uma leve deformação no centro após a retirada dos escoramentos; e • Alguns pilares, que suportam a laje, apresentaram bolhas de ar após a concretagem, indicando possível falha no adensamento do concreto. Com base nessas situações e nas boas práticas de engenharia, quais ações o fiscal de obras deverá recomendar para mitigar os problemas observados?
- A)No muro de arrimo, deve-se reforçar o sistema de escoramento e aplicar um revestimento adicional. A laje pode ser reforçada com aço adicional nas áreas deformadas, e os pilares devem ser deixados sem reparo, pois a falha de adensamento é insignificante.
Errada, porque o problema do muro de arrimo é a água e a drenagem, não um simples reforço de escoramento, e deixar os pilares sem reparo ignora uma falha real de adensamento.
- B)No muro de arrimo, deve-se reforçar o sistema de drenagem para evitar que a água fique acumulada e aumente a pressão do solo. A laje deve ser inspecionada para verificar a segurança da estrutura, e os pilares podem ser reparados com argamassa nas áreas afetadas.
Certa, pois trata corretamente a causa da infiltração no muro, exige verificação da laje deformada e admite reparo localizado dos pilares com defeito de concretagem.
- C)O muro de arrimo deve ser demolido e reconstruído com um sistema de impermeabilização completo. A laje deve ser demolida e refeita com novo escoramento; os pilares que apresentaram falhas de concretagem devem ser demolidos e refeitos para garantir a integridade estrutural.
Errada, porque propõe demolição como solução automática, sem avaliar a gravidade real dos defeitos e sem considerar reparos tecnicamente adequados e proporcionais.
- D)O muro de arrimo pode ser mantido como está, desde que sejam aplicadas camadas adicionais de concreto para reforço. A laje com deformação pode ser mantida, pois é comum haver pequenas deformações em vãos longos. Os pilares não precisam de reparo, já que as bolhas de ar são normais na concretagem.
Errada, porque minimiza patologias importantes: infiltração no muro, deformação na laje e bolhas nos pilares não são aspectos para simplesmente "deixar como está".
Gabarito: B
Em fiscalização de obras, o fiscal não olha só se a estrutura "está de pé" hoje, mas se ela vai continuar segura amanhã. Em muros de arrimo, o grande vilão costuma ser a água: quando há infiltração e falta de drenagem adequada, a pressão do solo aumenta e o elemento fica mais exigido do que deveria. Por isso, a providência técnica mais coerente é melhorar o sistema de drenagem e controlar a umidade atrás do muro. Na laje, uma leve deformação após a retirada dos escoramentos pode indicar flecha excessiva, cura insuficiente, carregamento precoce ou até problema de dimensionamento/execução. O correto é inspecionar, medir a deformação e verificar se ela está dentro dos limites de serviço previstos em projeto e nas normas, em especial a ABNT NBR 6118, que trata de segurança, estabilidade e deformações aceitáveis das estruturas de concreto. Já os pilares com bolhas de ar após a concretagem sugerem falha de adensamento, o que pode gerar vazios e reduzir a qualidade local do concreto. Nesses casos, a correção pode envolver reparo com argamassa/grout ou técnica compatível com a extensão do defeito, sempre após avaliação técnica. Se a falha for relevante, o reparo deve ser mais criterioso do que um simples "tapa-buraco". Assim, o gabarito B está correto porque reúne três providências tecnicamente compatíveis com a patologia observada: drenagem no muro de arrimo, inspeção da laje para checar a segurança e reparo dos pilares nas áreas afetadas. É a resposta com postura de fiscalização séria: identificar a causa, avaliar a gravidade e propor correção adequada, sem exagero nem improviso.