Em determinada obra de construção de uma planta industrial da Hemobrás, o engenheiro civil foi responsável pelo projeto e execução das fundações. Durante a fase de sondagem, foram identificados diferentes tipos de solo, com camadas de argila mole e arenito, apresentando uma resistência à compressão variável conforme a profundidade. Com base nas condições encontradas, foi solicitado o uso de estacas tipo hélice contínua, uma vez que se acreditava que a camada de resistência adequada estava a 20 metros de profundidade. Considerando a necessidade de garantir a estabilidade da estrutura industrial, o engenheiro responsável decidiu realizar o cálculo de capacidade de carga das estacas, considerando a interação solo-estrutura e a profundidade das camadas de solo. Sobre tal processo, assinale a abordagem correta para o dimensionamento da estaca hélice contínua, tendo em vista o caso hipotético descrito.
- A)O cálculo da capacidade de carga deve ser realizado com base apenas na resistência do solo de fundo, desprezando a resistência de atrito lateral, já que as estacas de hélice contínua não apresentam grande interação lateral com o solo.
Errada, porque a capacidade de carga de estacas não depende só da ponta, já que o atrito lateral costuma ter papel importante no desempenho.
- B)A utilização de estacas hélice contínua é desaconselhada para profundidades superiores a quinze metros, uma vez que a capacidade de carga lateral das estacas diminui significativamente com a profundidade, sendo mais apropriado o uso de tubulões.
Errada, porque não existe essa proibição geral por profundidade, e a estaca hélice contínua pode ser usada em grandes profundidades conforme o projeto e a execução.
- C)A profundidade de implantação das estacas deve ser determinada, considerando a resistência das camadas superficiais de solo, utilizando apenas o teste de penetração padrão (SPT) para determinar a capacidade de carga, sem necessidade de considerar a carga de ponta.
Errada, porque o SPT ajuda na investigação, mas não dispensa a avaliação da carga de ponta nem substitui o cálculo completo da capacidade de carga.
- D)O cálculo da capacidade de carga das estacas deve considerar tanto a resistência de ponta quanto o atrito lateral, sendo necessário o uso de um fator de segurança adequado, conforme a NBR 6489/2011, e a interação entre o solo e as estacas deve ser modelada de forma precisa.
Certa, porque o dimensionamento deve considerar ponta e atrito lateral, com fator de segurança e análise da interação solo-estaca, conforme a prática normativa de fundações.
Gabarito: D
Em estacas tipo hélice contínua, o dimensionamento não é chute de obra nem aposta no “solo mais bonzinho”: você precisa avaliar a capacidade geotécnica com base na contribuição da ponta e também do atrito lateral ao longo do fuste. Em solos com camadas diferentes, isso fica ainda mais importante, porque a resistência muda com a profundidade e a estaca pode trabalhar em mais de um estrato ao mesmo tempo. No caso descrito, a profundidade de 20 m exige verificar se a camada resistente realmente é suficiente para mobilizar a ponta e como as camadas atravessadas contribuem para o atrito lateral. Além disso, o cálculo deve ser feito com fator de segurança compatível com o projeto, para transformar a resistência do solo em capacidade admissível da fundação. É por isso que a alternativa D está correta: ela reconhece a interação solo-estrutura e considera os dois mecanismos clássicos de resistência da estaca, ponta e atrito lateral. Na prática brasileira, esse dimensionamento é orientado pela NBR 6122, que trata de projeto e execução de fundações, e não pela NBR 6489, que é voltada à investigação geotécnica por sondagens de simples reconhecimento. Resumo de prova: estaca hélice contínua não se dimensiona só pela ponta, nem só pelo SPT, nem com regra simplificada de profundidade. O caminho certo é combinar investigação do subsolo, cálculo geotécnico adequado e verificação com fator de segurança. O solo manda, e a estaca obedece.