A orçamentação é uma etapa que deve ser executada com muito cuidado e perícia, envolvendo uma equipe de engenheiros e especialistas e orçamento qualificado. O processo de orçar é muito importante, pois permite que as empresas de construção determinem seus custos e forneçam um preço inferior ao qual não seria econômica a realização do trabalho. Os custos superestimados resultam em um preço mais elevado e rejeição pelo cliente, ou perda em um processo licitatório. Do mesmo modo, um custo subestimado poderia levar a uma situação em que o contratante incorre em perdas. Sobre a execução de orçamentos, assinale a afirmativa correta.
- A)O orçamentista não pode desprezar os efeitos físicos dos materiais ao fazer seus quantitativos como, por exemplo, o empolamento e contração.
Certa: o orçamento deve considerar empolamento, contração e outros efeitos físicos dos materiais para que os quantitativos reflitam a realidade da obra.
- B)O orçamentista poderá usar a base de preços que for melhor conveniente à empresa, resultado sempre em uma maior taxa de lucratividade ao empreendimento a ser orçado.
Errada: a base de preços deve ser tecnicamente adequada e compatível com a realidade do mercado, não a que for mais conveniente para a empresa.
- C)Para montar a composição unitária de cada serviço é preciso estimar unicamente a quantidade/consumo de cada material e dos equipamentos necessários para executar uma unidade do serviço.
Errada: a composição unitária também envolve mão de obra, encargos, perdas, produtividade e outros insumos, não apenas materiais e equipamentos.
- D)O levantamento de quantitativos executado com base em projetos básicos possibilita a execução de orçamentos com alto índice de sucesso, reduzindo as chances de erros e desvio do preço final.
Errada: projeto básico não assegura orçamento altamente preciso, pois ainda há limitações de detalhamento e maior risco de erro nos quantitativos.
Gabarito: A
Em orçamento de obras, voce nao pode tratar quantitativo como se fosse uma conta seca de metro e centímetro. Antes de chegar ao custo final, é preciso considerar como os materiais se comportam na prática, como perda, desperdício, empolamento e contração. Isso evita um orçamento “bonito no papel” e ruim na obra, que é o tipo de surpresa que ninguém quer receber no canteiro. O empolamento acontece, por exemplo, quando o material solto ocupa mais volume do que quando está em seu estado natural ou compactado. Já a contração pode ocorrer em situações de adensamento, secagem ou retração de materiais. Se voce ignora esses efeitos, seus quantitativos ficam distorcidos e o custo estimado perde aderência à realidade. Por isso, a alternativa A está correta: o orçamentista não deve desprezar os efeitos físicos dos materiais ao levantar quantitativos. Essa cautela é compatível com a boa técnica de orçamento, muito cobrada em Planejamento e Controle de Obras, porque o objetivo é estimar com fidelidade o consumo real e reduzir erros de precificação. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos: base de preços não é escolhida por conveniência; composição unitária não se resume só a materiais e equipamentos; e orçamento com projeto básico pode até ser feito, mas não garante “alto índice de sucesso” nem elimina chance de erro. Em concurso, a banca gosta justamente de transformar exagero em pegadinha.