De agosto a outubro de 2023, no Sul do Brasil, onde houve um alto índice de umidade e grandes períodos chuvosos, a necessidade de conhecimento técnico para o uso de impermeabilizantes é evidente, e quando ignorada, ou por negligência fiscal ou por falta de mão de obra qualificada, tem por consequência edifícios e residências insalubres sob frequente serviços de manutenção corretiva. Considerando a aplicação de um sistema de impermeabilização flexível usando uma manta asfáltica associada à um primer de emulsão asfáltica, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Recomenda-se que a aplicação das mantas asfálticas sejam efetuadas em temperaturas ambientes acima de 5 °C, salvo orientação específica do fabricante.
Certa, pois a aplicação da manta deve respeitar a temperatura indicada pelo fabricante, e a faixa acima de 5 °C aparece como orientação usual para evitar problemas de aderência.
- B)A aplicação da manta asfáltica com chama de maçarico a GLP deve ser iniciada pelo lado mais baixo da superfície, para que as emendas obedeçam ao sentido de escoamento, sendo que as sobreposições devem ser de, no mínimo, 5 cm, ou de acordo com o fabricante.
Errada, porque a execução com maçarico e as sobreposições não podem ser tratadas por uma regra genérica de 5 cm, devendo seguir o sistema, o projeto e as instruções do fabricante.
- C)O substrato onde será executada a imprimação deve estar limpo; coeso; seco; sem imperfeições; e, resíduos, possuindo declividade nas áreas horizontais de, no mínimo, 1% em direção aos coletores de água, sendo que, para calhas e áreas internas, é permitido o mínimo de 0,5% de declividade.
Certa, pois o substrato deve estar limpo, coeso, seco e com declividade mínima para escoamento, em conformidade com as exigências usuais de execução da impermeabilização.
- D)Após a aplicação das mantas, é recomendado promover a sua proteção quanto aos raios ultravioletas, exceto para mantas auto-protegidas, e a proteção mecânica. Nas áreas horizontais, a proteção mecânica, armada ou não, deve ser executada sobre camada separadora e/ou drenante, nos locais onde exista possibilidade de agressão mecânica.
Certa, pois a manta deve receber proteção contra radiação UV e proteção mecânica quando houver necessidade, especialmente em áreas horizontais com risco de agressão.
Gabarito: B
Impermeabilização é daqueles temas que parecem simples até a primeira infiltração aparecer no teto do cliente. Em sistemas flexíveis com manta asfáltica e primer de emulsão asfáltica, o sucesso depende de preparo do substrato, declividade correta, execução das sobreposições e proteção da manta depois da aplicação. A lógica é sempre a mesma: a água procura qualquer falha, então a obra precisa estar “mais esperta” do que ela. Antes de receber o primer e a manta, a base deve estar limpa, seca, coesa e sem imperfeições relevantes. Além disso, nas áreas horizontais, a norma de execução exige caimento mínimo para conduzir a água aos coletores, evitando empoçamentos. Depois da manta, entra a proteção contra raios UV, exceto nas auto-protegidas, e também a proteção mecânica quando houver risco de agressão à impermeabilização. A alternativa B é a incorreta porque traz uma orientação genérica de execução da manta com chama e fixa sobreposição mínima de 5 cm como se fosse regra universal. Na prática, a execução deve seguir o sistema especificado, o projeto e principalmente o manual do fabricante, conforme a ABNT NBR 9574 e a ABNT NBR 9575, e as dimensões de sobreposição podem variar conforme o tipo de manta e o método de aplicação. Ou seja, a frase simplifica demais e acaba escapando do parâmetro técnico exigido. Por isso, a banca cobra exatamente esse cuidado: em impermeabilização, “quase certo” costuma ser erro. A questão mistura orientações verdadeiras com uma afirmação que parece plausível, mas não se sustenta como regra técnica geral.