Considerando que a ruptura de barragem por escorregamento ocorre principalmente durante a construção, com reservatório cheio ou sob rebaixamento rápido, assinale a opção correta, relativamente a aspectos pertinentes ao risco de ruptura de barragens.
- A)Se a velocidade do processo de construção de uma barragem for alta, ocorrem, durante esse processo, o adensamento do solo da fundação e do aterro e pressões neutras baixas.
Errada, porque construção rápida tende a dificultar a dissipação das poropressões, e não a garantir adensamento e pressões neutras baixas durante a execução.
- B)Com o reservatório cheio em regime de funcionamento, em função da percolação da água através do maciço, a poropressão é reduzida.
Errada, porque com o reservatório cheio a percolação no maciço pode elevar ou manter poropressões, não necessariamente reduzi-las.
- C)Em aterro de baixa permeabilidade, quando o rebaixamento da barragem se processa durante alguns meses, como acontece nos períodos de estiagem, não há risco de ruptura.
Errada, porque em aterro de baixa permeabilidade o rebaixamento ainda pode gerar risco relevante de ruptura por não haver drenagem rápida suficiente.
- D)Quando o reservatório estiver cheio e em regime de funcionamento, o talude a montante estará sob condição mais crítica que o talude a jusante.
Errada, porque com o reservatório cheio o talude a montante costuma estar mais estabilizado pelo empuxo da água, enquanto o crítico tende a ser o caso de rebaixamento rápido.
- E)Sob rebaixamento rápido, o risco de ruptura do reservatório ocorre quando não há tempo suficiente para dissipação da pressão da água nos poros, originada pela percolação da água dentro do maciço.
Certa, porque o rebaixamento rápido cria uma condição em que a pressão nos poros não se dissipa a tempo, reduzindo a resistência ao cisalhamento do maciço.
Gabarito: E
Em barragens de terra e enrocamento, a estabilidade dos taludes depende muito de três momentos críticos: durante a construção, com o reservatório cheio e no rebaixamento rápido. Isso acontece porque a água nos poros do solo não responde instantaneamente às mudanças de carga, especialmente em materiais de baixa permeabilidade. Quando a pressão neutra fica alta, a resistência ao cisalhamento cai e o talude fica mais sujeito a escorregar. No rebaixamento rápido, o nível da água do reservatório desce mais depressa do que a pressão interna do maciço consegue dissipar. O resultado é que o empuxo da água externa diminui, mas a água ainda presa nos poros continua “segurando” o solo por dentro. Essa combinação piora a estabilidade, principalmente no talude a montante, que perde o suporte externo e ainda mantém poropressões elevadas. Por isso, a alternativa correta é a E: ela descreve exatamente o mecanismo de ruptura por rebaixamento rápido, isto é, ausência de tempo suficiente para dissipação da pressão da água nos poros gerada pela percolação no maciço. Em termos de geotecnia, isso reduz a tensão efetiva e, consequentemente, a resistência ao cisalhamento. É a clássica situação em que a barragem parece tranquila por fora, mas por dentro o solo ainda não “entendeu” que o nível da água já baixou. As demais alternativas trocam os efeitos: algumas afirmam redução de poropressão quando ela tende a aumentar ou permanecer alta, e outras ignoram que o risco em aterros pouco permeáveis é justamente maior em rebaixamentos rápidos. Em prova, a CESPE gosta muito dessa ideia central: mudanças rápidas de carregamento hidráulico sem tempo de drenagem geram instabilidade.