Em um projeto hidráulico-sanitário de estação de tratamento de esgoto (ETE), as grades utilizadas para a remoção de sólidos grosseiros
- A)devem ser dimensionadas para vazão média afluente à unidade.
Errada, porque grades devem ser dimensionadas para a vazão de projeto mais crítica, e não para a vazão média afluente.
- B)têm perda de carga mínima maior para grades de limpeza mecanizada em relação a grades de limpeza manual.
Errada, pois a perda de carga mínima tende a ser menor nas grades mecanizadas, que são projetadas para operação mais controlada.
- C)são classificadas, de acordo com o diâmetro das barras, como grossa, média e fina.
Errada, porque a classificação usual das grades é feita pelo espaçamento entre barras, e não pelo diâmetro das barras.
- D)têm barras cuja inclinação em relação à horizontal independe do tipo de limpeza adotada, manual ou mecânica.
Errada, porque a inclinação das barras varia com o tipo de limpeza adotada e interfere no desempenho hidráulico e operacional.
- E)são dimensionadas por critérios que envolvem a definição de uma velocidade máxima através da grade para a vazão final.
Certa, porque o dimensionamento considera critérios hidráulicos como a velocidade máxima através da grade para a vazão de projeto.
Gabarito: E
As grades em ETE servem para reter sólidos grosseiros e proteger as etapas seguintes do tratamento, como bombas, canais e unidades de processamento. Por isso, o dimensionamento não é feito olhando apenas a vazão média: o projetista precisa considerar a vazão de projeto mais desfavorável, normalmente a vazão final ou máxima, para evitar excesso de perda de carga e passagem indevida de resíduos. No cálculo, entram elementos como espaçamento entre barras, área útil, inclinação, velocidade de aproximação e velocidade de passagem pela grade. A ideia é simples: se a água correr rápido demais entre as barras, os sólidos passam ou a grade entope; se correr devagar demais, a unidade fica superdimensionada e pouco eficiente. Em engenharia sanitária, o equilíbrio aqui é tudo, como quase sempre acontece quando a natureza decide testar a paciência do projetista. A alternativa correta é a letra E, porque as grades são dimensionadas por critérios hidráulicos que incluem a definição de uma velocidade máxima através da grade, aplicada para a vazão de projeto, normalmente a vazão final ou máxima afluente. Isso é coerente com os manuais de saneamento e com a prática de projeto de ETEs, que buscam limitar a velocidade de escoamento nas aberturas para garantir retenção adequada dos sólidos e evitar perda excessiva de carga. Em resumo: grade boa não é a que só "cabe" na canaleta, mas a que funciona bem na pior condição de operação. A banca gosta justamente de trocar a vazão de projeto pela vazão média e de confundir os critérios hidráulicos básicos com detalhes secundários.