Uma sociedade empresária comprava estoques de matéria-prima com condição para pagamento a prazo. Em 01/12/2024, a empresa adquiriu R$ 23.000 em estoque para pagamento em 180 dias. O valor é considerado relevante para a empresa. Caso o pagamento fosse realizado à vista, o valor da compra seria de R$ 21.000. No momento da compra, a empresa reconheceu as seguintes modificações em seus elementos patrimoniais:
- A)aumento de R$ 21.000 no ativo e de R$ 21.000 no patrimônio líquido.
Errada, porque o ativo não entra pelo valor nominal pago, e sim pelo preço à vista, enquanto o restante não vai direto ao patrimônio líquido.
- B)aumento de R$ 21.000 no ativo e no passivo.
Certa, pois o estoque deve ser reconhecido pelo valor à vista de R$ 21.000 e a obrigação também nasce por R$ 21.000.
- C)aumento de R$ 23.000 no ativo e no passivo.
Errada, porque os R$ 23.000 incluem parcela financeira embutida, então não representam o valor inicial do estoque nem da obrigação.
- D)aumento de R$ 23.000 no ativo, de R$ 21.000 no passivo e de R$ 2.000 no patrimônio líquido.
Errada, porque o estoque não aumenta por R$ 23.000 e o deságio de prazo não gera aumento de patrimônio líquido no reconhecimento inicial.
- E)aumento de R$ 21.000 no ativo e de R$ 23.000 no passivo e diminuição de R$ 2.000 no patrimônio líquido.
Errada, pois o passivo não deve ser reconhecido pelo total nominal de R$ 23.000 no início, e a diferença não reduz patrimônio líquido naquele momento.
Gabarito: B
Quando a compra de estoque é feita a prazo com prazo longo e valor relevante, você não joga todo o valor da nota dentro do estoque. Primeiro, você separa o preço à vista, que é o custo de aquisição do ativo. O que passar disso vira despesa financeira ao longo do tempo, como se fosse juros embutidos na operação. No caso da questão, o valor à vista era R$ 21.000. Então, no reconhecimento inicial, o estoque entra por R$ 21.000 e o passivo também nasce por R$ 21.000. Os R$ 2.000 de diferença entre R$ 23.000 e R$ 21.000 não são custo do estoque no momento da compra; são custo financeiro que será apropriado depois. Isso está alinhado com a lógica da CPC 16 (Estoques), em harmonia com o CPC 12 (Ajuste a Valor Presente), que manda separar o componente financeiro quando o efeito do prazo for relevante. Em prova, essa é a pista: se o enunciado fala em prazo relevante e dá preço à vista, pense em valor presente, não em valor nominal. Por isso o gabarito B está correto: aumento de R$ 21.000 no ativo e no passivo. O restante só aparece no resultado, e não no balanço inicial.