Por meio da análise vertical do balanço patrimonial, uma sociedade empresária do setor varejista percebeu que, em 31/12/2023, o seu ativo circulante representava 40% de seu ativo total. Em 31/12/2024, representava 30%. Assinale a opção que indica um fato que pode ter acontecido em 2024.
- A)Declaração de dividendos.
Errada, porque a declaração de dividendos afeta principalmente o patrimônio líquido e o passivo, não explica sozinha a redução da participação do ativo circulante no ativo total.
- B)Reconhecimento de despesa de salários.
Errada, porque reconhecer despesa de salários afeta o resultado e pode reduzir caixa, mas não é a melhor explicação para a mudança estrutural entre circulante e total do ativo.
- C)Reconhecimento de provisão para contingências.
Errada, porque provisão para contingências impacta principalmente passivo e resultado, sem produzir necessariamente a redução relativa do ativo circulante indicada no enunciado.
- D)Emissão de ações para credores da dívida de longo prazo.
Errada, porque a emissão de ações para credores de dívida de longo prazo troca passivo por patrimônio líquido, mas não gera, por si, o padrão de redução do circulante frente ao total do ativo.
- E)Compra de equipamentos para serem utilizados na atividade operacional à vista.
Certa, porque a compra de equipamentos à vista reduz o ativo circulante (saída de caixa) e aumenta o ativo não circulante (entrada de imobilizado), diminuindo a participação percentual do circulante.
Gabarito: E
A análise vertical mostra a participação de cada conta ou grupo em relação ao total do balanço. Se o ativo circulante caiu de 40% para 30% do ativo total, isso significa que, em 2024, houve aumento proporcional dos ativos não circulantes, ou redução do circulante, ou os dois ao mesmo tempo. Em outras palavras: o bolo cresceu mais no pedaço de longo prazo do que no pedaço de curto prazo. Para provocar esse efeito, um fato típico é a compra de imobilizado à vista. Quando a empresa compra equipamentos pagando em dinheiro, o ativo circulante diminui porque sai caixa, e o ativo não circulante aumenta porque entra imobilizado. Assim, a parcela do circulante no total tende a cair, exatamente como no enunciado. Esse raciocínio está alinhado à lógica da análise vertical prevista na prática contábil e nos demonstrativos do CPC 26 (Apresentação das Demonstrações Contábeis), que permite comparar a estrutura patrimonial entre períodos. A banca adora esse tipo de questão porque não quer apenas o nome da conta, mas o efeito patrimonial da operação. Então, se o circulante perdeu participação relativa, pense em operações que transformam caixa em ativo permanente, ou que aumentam o não circulante sem inflar o circulante. É o tipo de movimento que muda a fotografia do balanço sem precisar de mágica contábil.