Ao analisar as demonstrações contábeis de uma empresa industrial, um analista de investimentos verificou que a despesa com o uso das máquinas não foi identificada na demonstração do resultado do período. O tratamento contábil da empresa foi considerado correto. Nesse caso, pode-se concluir que:
- A)houve mudanças na vida útil das máquinas.
Errada, porque mudança na vida útil altera o cálculo da depreciação, mas não explica o sumiço da despesa da DRE.
- B)o valor residual das máquinas aumentou no período.
Errada, porque aumento do valor residual afeta o valor depreciável, mas não faz a despesa desaparecer do resultado por si só.
- C)a empresa aprimorou o uso das máquinas no período.
Errada, porque melhorar o uso das máquinas pode reduzir o consumo econômico, mas não justifica o tratamento contábil descrito.
- D)a empresa somente reconhece as despesas que são pagas no período.
Errada, porque o reconhecimento da despesa por regime de competência não depende de pagamento, e a questão não trata de caixa.
- E)a despesa de depreciação faz parte do custo de outro ativo e foi incluída no seu valor contábil.
Certa, porque a depreciação pode ser incorporada ao custo de outro ativo quando a máquina é usada na produção ou construção desse ativo.
Gabarito: E
Em empresa industrial, a despesa ligada ao uso das máquinas normalmente entra na DRE como depreciação, porque o desgaste do imobilizado é reconhecido ao longo do tempo. Mas nem sempre ela aparece como despesa do período: em alguns casos, o valor da depreciação é incorporado ao custo de outro ativo, especialmente quando a máquina é usada na produção de estoques ou de um ativo em construção. Nesse cenário, a depreciação não some por milagre contábil, só muda de lugar. Em vez de afetar diretamente o resultado naquele momento, ela é capitalizada no valor de um ativo, seguindo a lógica do CPC 27 (Ativo Imobilizado), que trata da depreciação como alocação sistemática do valor depreciável e permite sua inclusão no custo de outro ativo quando ele for diretamente atribuível à produção ou construção. Por isso o tratamento está correto: se a empresa usou as máquinas para fabricar estoques ou produzir um ativo próprio, a parcela da depreciação relacionada a esse uso integra o custo desse outro ativo, e não necessariamente aparece na DRE como despesa operacional do período. É a contabilidade dizendo: "não é sumiço, é transferência de endereço". Logo, a conclusão adequada é que a despesa de depreciação fez parte do custo de outro ativo e foi incluída no seu valor contábil.