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Contabilidade · FGV · 2025

Questão comentada de Contabilidade

No primeiro trimestre de 2025, uma loja de roupas reconheceu receita de vendas de R$500.000, para recebimento a partir do segundo trimestre. A loja estima inadimplência de 2%. Na demonstração do resultado da loja, a estimativa com a inadimplência deve ser reconhecida como

Gabarito: B

Na DRE, a regra geral é simples: receita de vendas entra pelo valor bruto, e os efeitos do risco de não recebimento não “somem” da receita como se fossem desconto comercial. Quando a empresa vende a prazo e estima que uma parte não será recebida, ela reconhece uma perda esperada com crédito de liquidação duvidosa, isto é, uma despesa ligada à atividade normal da operação. No caso da loja de roupas, a venda de R$ 500.000 foi reconhecida no trimestre da venda, mesmo que o dinheiro só entre depois. Isso conversa com o princípio da competência: a receita e os efeitos relacionados são reconhecidos quando ocorrem, e não quando o caixa entra. A estimativa de inadimplência de 2% é uma perda esperada sobre contas a receber, então vai para despesa. Por isso o gabarito é a letra B. Em termos práticos, a loja continua reconhecendo a receita de vendas, e em seguida registra a despesa com perdas estimadas, reduzindo o resultado do período. Não é despesa financeira, porque não decorre de juros ou captação de recursos, e também não é conta redutora da receita, já que não se trata de abatimento comercial ou devolução de venda. Esse tratamento é compatível com a lógica da DRE prevista na Lei 6.404/1976 e com a prática contábil de mensuração de perdas de crédito esperadas, hoje refletida no CPC 48/IFRS 9 para ativos financeiros e, na apresentação das demonstrações, em linha com a evidenciação do risco de crédito. A banca costuma cobrar essa diferença entre perda por inadimplência e ajuste da receita, então vale guardar a ideia: inadimplência estimada vira despesa, não “desconto” da venda.

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