Ocasionalmente pode ocorrer que alguma entidade promova uma atividade de financiamento em moeda estrangeira. Essa atividade vai gerar fluxos de caixa futuros. Esses fluxos de caixa decorrentes de transações em moeda estrangeira devem ser registrados
- A)na moeda funcional da entidade, convertendo-se o valor em moeda estrangeira à taxa cambial na data da ocorrência do fluxo de caixa.
Correta: o fluxo de caixa em moeda estrangeira deve ser convertido para a moeda funcional pela taxa de câmbio da data da ocorrência do fluxo.
- B)na moeda original da transação, conservando a data da ocorrência do fluxo de caixa.
Errada: a contabilização não fica na moeda original da transação, porque a escrituração deve refletir a moeda funcional da entidade.
- C)na moeda funcional da entidade, convertendo-se o valor em moeda estrangeira à taxa cambial na data da divulgação da Demonstração Contábil.
Errada: a conversão não é feita na data da divulgação das demonstrações, mas na data em que o fluxo de caixa ocorre.
- D)na moeda funcional da entidade, convertendo-se o valor em moeda estrangeira à taxa cambial na data do fechamento do exercício.
Errada: o fechamento do exercício pode ser usado para certos saldos e ajustes, mas não para registrar o fluxo de caixa ocorrido em data anterior.
- E)na moeda original da transação, levando em conta a taxa cambial da data do efetivo desembolso.
Errada: o registro não permanece na moeda original; ele deve ser convertido para a moeda funcional, embora a taxa usada seja a da data do desembolso.
Gabarito: A
Quando a entidade faz uma operação em moeda estrangeira, o cuidado básico é: a contabilidade fala a língua da moeda funcional, não da moeda do contrato. Por isso, os fluxos de caixa decorrentes dessas transações devem ser reconhecidos em moeda funcional, com conversão pela taxa de câmbio da data em que o fluxo efetivamente ocorre. Isso é compatível com o CPC 02 (R2) - Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis, alinhado à IAS 21. A lógica é simples: se entrou ou saiu caixa hoje, você usa a cotação de hoje. Não faz sentido esperar o fechamento do exercício ou a data da divulgação para converter um fluxo que já aconteceu. Demonstração contábil gosta de histórico concreto, não de adivinhação cambial. Então, se a entidade recebeu ou pagou em moeda estrangeira por uma atividade de financiamento, o valor deve ser levado para a moeda funcional na data do fluxo de caixa. Depois disso, a variação cambial entre datas pode gerar ajustes próprios, mas o registro do fluxo em si segue a taxa da ocorrência. É por isso que o gabarito é a alternativa A: ela acerta ao exigir a moeda funcional e a taxa de câmbio da data do fluxo de caixa. As demais opções trocam a data de conversão, mantêm moeda original ou usam datas de fechamento/divulgação, o que contraria a regra aplicável.