A identificação e segregação entre custos e perdas é necessária, uma vez que as perdas não são atribuídas aos objetos de custos. Os itens a seguir representam exemplos destas perdas, com exceção de um. Assinale-o.
- A)Depreciação de ativos imobilizados.
Errada, porque a depreciação é uma alocação sistemática do valor do ativo ao longo da vida útil, e não uma perda.
- B)Catástrofe por fenômenos naturais.
Certa, porque catástrofes naturais geram evento anormal e involuntário, típico exemplo de perda.
- C)Redução ao valor recuperável de ativos.
Certa, pois a redução ao valor recuperável (impairment) decorre de desvalorização não usual e pode caracterizar perda.
- D)Catástrofe decorrente da ação humana.
Certa, já que uma catástrofe causada por ação humana também é um fato extraordinário e não apropriável como custo normal.
- E)Pagamento por indenizações a funcionários
Certa, porque indenizações a funcionários, quando fora da rotina produtiva normal, podem configurar perda e não custo do objeto.
Gabarito: A
Em contabilidade gerencial, a ideia de perda é bem específica: trata-se de um gasto anormal, involuntário ou fora do padrão, que não pode ser apropriado como custo de um produto, serviço ou objeto de custeio. Por isso, a banca gosta de separar custo de perda com cuidado, porque nem tudo que reduz o patrimônio é, tecnicamente, uma perda. As perdas costumam aparecer em fatos como catástrofes, baixas extraordinárias, destruição de ativos, desvalorização por evento incomum e indenizações anormais. Nesses casos, não há relação normal com a produção ou com a atividade rotineira da empresa. A lógica é: se não dá para ligar ao objeto de custo de forma normal, não entra como custo. Já a depreciação de ativos imobilizados não é perda. Ela é a distribuição sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo da sua vida útil, conforme o CPC 27. Ou seja, é uma despesa ou custo reconhecido de forma regular e planejada, ligada ao uso do bem, e não um evento anormal e inesperado. Por isso, a alternativa A é a exceção pedida no enunciado: ela descreve um encargo normal da atividade contábil, e não uma perda. A banca FGV costuma cobrar exatamente essa diferença entre gasto normal e evento extraordinário, então vale guardar a ideia-chave: depreciação pode ser custo ou despesa, mas não perda.