Em 31/12/X0, uma sociedade empresária adquiriu, à vista, um terreno para ser utilizado em seus negócios por R$100.000. A sociedade empresária avalia ao fim de cada período de reporte se há alguma indicação de que os seus ativos possam ter sofrido desvalorização. Os valores recuperáveis em 31/12/X1, 31/12/X2 e 31/12/X3 foram, respectivamente, de R$90.000, R$80.000 e R$120.000. Assinale a opção que indica a contabilização relacionada à recuperabilidade do terreno na Demonstração do Resultado do Exercício da sociedade empresária em 31/12/X3, de acordo com a NBC TG 01 (R4) – Redução ao Valor Recuperável de Ativos:
- A)Receita de R$20.000.
Errada, porque o ganho de R$20.000 não é classificado como receita, e sim como reversão de despesa de impairment.
- B)Receita de R$40.000.
Errada, porque R$40.000 ultrapassaria o teto permitido, já que o terreno não poderia ficar acima de R$100.000 sem impairment.
- C)Reversão de Despesa de R$20.000.
Certa, pois o ativo saiu de R$80.000 para no máximo R$100.000, gerando reversão de despesa de R$20.000.
- D)Reversão de Despesa de R$30.000.
Errada, porque a reversão não pode considerar os R$30.000 necessários para chegar ao valor recuperável de R$120.000.
- E)Reversão de Despesa de R$40.000.
Errada, porque a reversão fica limitada ao valor contábil que o terreno teria sem desvalorização, e não ao valor recuperável de 31/12/X3.
Gabarito: C
A lógica da NBC TG 01 (R4) é simples: no fim de cada período, você compara o valor contábil do ativo com o valor recuperável. Se o recuperável for menor, reconhece perda por desvalorização; se depois ele voltar a subir, pode haver reversão, mas com limite. Esse limite é o valor que o ativo teria se nunca tivesse sofrido impairment, isto é, sem “turismo contábil” para ganhar mais do que perdeu. Neste caso, o terreno foi comprado por R$100.000 e, como terreno normalmente não sofre depreciação, esse é o valor que ele teria mantido se não houvesse perdas anteriores. Em 31/12/X1 houve perda de R$10.000, baixando para R$90.000. Em 31/12/X2 houve nova perda de R$10.000, baixando para R$80.000. Até aqui, tudo dentro do roteiro da desvalorização. Em 31/12/X3, o valor recuperável subiu para R$120.000, mas a reversão não pode levar o ativo acima de R$100.000, que é o teto do valor sem impairment. Como o valor contábil estava em R$80.000, a reversão permitida é de R$20.000. Na DRE, isso aparece como reversão de despesa por impairment, e não como receita operacional comum. Por isso, o gabarito é a letra C: reversão de despesa de R$20.000. A NBC TG 01 trata exatamente dessa limitação na reversão da perda por desvalorização.