Considere o método de Valoração pelo Fluxo de Caixa Descontado. O Valor Residual, ou ainda, o Valor da Empresa no final do último ano projetado, considerando projeção de crescimento constante para os fluxos de caixa livres (FCL) para o período pós-projetado (g), pelo modelo de Gordon, será
- A)diretamente proporcional ao CMPC.
Errada, porque o valor residual não é diretamente proporcional ao CMPC; na fórmula, o CMPC aparece no denominador de forma inversa.
- B)tanto maior quanto menor a taxa g.
Errada, porque quanto menor a taxa g, menor tende a ser o valor residual, já que o crescimento reduz o denominador apenas quando se aproxima do CMPC.
- C)inversamente proporcional ao FCL do último ano projetado.
Errada, porque o valor residual é diretamente proporcional ao FCL do último ano projetado, e não inversamente.
- D)calculado a partir do Lucro Operacional Ajustado do último ano projetado.
Errada, porque o modelo de Gordon usa fluxo de caixa livre e não o lucro operacional ajustado como base do valor residual.
- E)negativo se g for maior do que o CMPC.
Certa, porque se g for maior do que o CMPC, o denominador da fórmula fica negativo, levando a um valor residual negativo.
Gabarito: E
No método do Fluxo de Caixa Descontado, o valor residual representa o que a empresa ainda vale depois do período projetado, como se fosse o “resto da festa” quando o modelo para de enxergar mês a mês e passa a olhar o longo prazo. No modelo de Gordon, esse valor é calculado com base no fluxo de caixa livre do primeiro ano do período perpétuo e na diferença entre o CMPC e a taxa de crescimento g. A fórmula clássica é: Valor Residual = FCL do ano seguinte / (CMPC - g). Em linguagem simples: quanto maior o fluxo de caixa e menor a taxa de desconto, maior tende a ser o valor da empresa. Já o crescimento g entra no denominador, então, se ele sobe demais, o valor residual dispara e pode até ficar matematicamente problemático. É por isso que existe uma condição essencial: g precisa ser menor que o CMPC. Se g for maior do que o CMPC, o denominador fica negativo e o valor residual também fica negativo, o que não faz sentido econômico no modelo. Essa é exatamente a ideia cobrada na alternativa E. Em finanças e avaliação de empresas, isso é tratado de forma doutrinária como limitação do modelo de perpetuidade de Gordon, amplamente usado na análise de valuation. Em prova, pense assim: o modelo funciona bem quando a empresa cresce de modo estável e sustentável, sem prometer “crescimento infinito mais rápido que o custo do dinheiro”. Se isso acontecer, o modelo pede socorro e entrega um valor absurdo ou negativo. A banca gosta muito dessa pegadinha.