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Contabilidade · FGV · 2023

Questão comentada de Contabilidade

No ano de X0, uma entidade iniciou o processo para captação de recursos por intermédio da emissão de títulos patrimoniais, incorrendo em custos de transação. Por problemas internos, em X1, a entidade verificou que não seria possível concluir a operação, de modo que não houve aumento de capital ou emissão de bônus de subscrição. Nesse momento, os custos de transação foram contabilizados do seguinte modo:

Gabarito: B

Quando a entidade emite títulos patrimoniais, os custos de transação normalmente não vão para despesa de cara: se a captação der certo, eles reduzem o patrimônio líquido, porque estão ligados diretamente à formação do capital. É a lógica do CPC 08 e do CPC 26, em linha com a IAS 32: custo de emissão de instrumento patrimonial é abatido do PL, e não levado ao resultado, quando a operação se concretiza. Mas aqui veio o plot twist contábil: em X1 ficou claro que a emissão não seria concluída. Sem aumento de capital e sem bônus de subscrição, não existe base para tratar esses gastos como redutor de patrimônio líquido. Se a operação não acontece, o custo perde o vínculo com o capital próprio e vira despesa do período. Por isso, no momento em que ficou definitivamente evidenciado que a captação fracassou, os custos de transação foram reconhecidos na DRE de X1. A despesa entra no resultado do exercício corrente, porque o fato gerador do reconhecimento é a frustração definitiva da operação, não o ano em que os gastos foram incorridos. Resumo de prova: deu certo, vai para o PL; deu errado e morreu a operação, vai para o resultado. A banca adora trocar o ano do gasto pelo ano do reconhecimento, então vale ficar atento a essa pegadinha.

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