A perda por desvalorização (impairment) de um ágio gerado a partir de uma combinação de negócios deve ser alocada para reduzir o valor contábil dos ativos. Uma dessas regras diz respeito à perda por impairment e estabelece que:
- A)quando o seu valor recuperável excede seu valor contábil, a perda por impairment deve ser alocada ao ativo e reconhecida a perda no resultado;
Errada, porque quando o valor recuperável excede o valor contábil não há perda por impairment, e sim ausência de desvalorização.
- B)quando calculado o valor em uso para teste de impairment, as projeções de saídas de caixa devem incluir itens de melhoria ou aprimoramento do ativo testado;
Errada, porque o cálculo do valor em uso não inclui saídas de caixa de melhorias ou aprimoramentos futuros do ativo, salvo se forem necessárias para colocá-lo em condição de uso.
- C)se não for praticável estimar o valor recuperável para cada ativo individualmente de uma unidade geradora de caixa, nenhuma ação é requerida para reconhecer a perda por desvalorização entre os ativos da unidade;
Errada, porque se não for possível estimar o valor recuperável de um ativo individual, a entidade deve testar a unidade geradora de caixa correspondente, e não ficar sem reconhecer nada.
- D)se parte do ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) alocado a uma unidade geradora de caixa decorre de combinação de negócios ocorrida durante o período anual corrente, essa unidade deve ser testada depois do fim do período anual corrente;
Errada, porque goodwill adquirido em combinação de negócios no período corrente deve ser testado para impairment antes do fim do período anual corrente, se houver indicativo ou conforme a lógica de alocação e teste da UGC.
- E)se um ativo dentro da unidade geradora de caixa indicar redução ao valor recuperável, a entidade deve testar primeiramente o ativo para impairment e reconhecer qualquer desvalorização para aquele ativo, antes de realizar o teste na unidade geradora de caixa que contém o ágio.
Certa, porque o ativo com indício de perda deve ser testado e ajustado primeiro, antes do teste da unidade geradora de caixa que contém o goodwill.
Gabarito: E
No teste de recuperabilidade, a lógica é simples: primeiro você olha o ativo individualmente. Se ele já apresenta indício de perda e dá para estimar seu valor recuperável, a entidade reconhece a perda daquele ativo antes de sair espalhando o prejuízo pela unidade geradora de caixa. Isso evita misturar tudo e esconder a desvalorização onde ela já apareceu com clareza. Essa é a ideia das normas do CPC 01 (R1), alinhadas ao IAS 36. Quando o ativo faz parte de uma unidade geradora de caixa e o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) também está alocado ali, o goodwill não fica “protegido” para sempre. Mas ele só entra na dança depois que os ativos da unidade que podem ser testados individualmente já foram analisados e ajustados, se for o caso. Primeiro o foco vai no ativo que já sinalizou perda; só depois se testa a unidade como um todo. Por isso, a alternativa E está correta: se um ativo dentro da unidade indicar redução ao valor recuperável, a entidade deve testar primeiro esse ativo e reconhecer a perda correspondente, antes de realizar o teste na unidade geradora de caixa que contém o ágio. É a ordem lógica do CPC 01 (R1): teste individual, depois teste da UGC, e o goodwill entra como “último da fila”. Essa sequência evita dupla contagem e impede que o prejuízo fique diluído indevidamente na unidade. Em prova, sempre desconfie de alternativas que tentam inverter a ordem dos testes ou que dizem que não precisa fazer nada quando há dificuldade de mensuração individual.