Uma universidade estadual aprovou a abertura de um curso de medicina no contexto de interiorização da educação superior, aprovada entre as metas da atual gestão do governo do Estado. Em decorrência das necessidades e exigências da formação em medicina, a administração da universidade está em tratativas com o governo do Estado com base na análise de duas alternativas propostas por uma comissão formada para este fim: construir um hospital universitário ou assinar um convênio com um hospital público, incluindo repasse de recursos que assegurem o atendimento às necessidades do curso. A comissão propôs que a tomada de decisão fosse com base na análise de informações de custos, apurando-se a diferença entre os custos totais das alternativas consideradas, em atenção ao conceito de:
- A)custos reais;
Errada, porque custos reais são os custos efetivamente incorridos, e não a diferença entre alternativas para decidir.
- B)custo padrão;
Errada, porque custo padrão é uma referência de comparação entre o realizado e o esperado, não um critério para comparar opções decisórias.
- C)custos controláveis;
Errada, porque custos controláveis dependem da capacidade de gestão sobre eles, mas a questão pede comparação entre alternativas de custo.
- D)custos diferenciais;
Certa, porque custos diferenciais são justamente a diferença de custo entre alternativas, base clássica para tomada de decisão.
- E)custos perdidos (sunk costs).
Errada, porque custos perdidos já ocorreram e não mudam com a escolha, então não servem como base para decidir.
Gabarito: D
Quando a administração precisa escolher entre duas alternativas de ação, o foco não deve ficar no custo total isolado de cada uma, mas na diferença entre elas. Em Contabilidade de Custos, isso é o que chamamos de custos diferenciais: os custos que mudam de uma opção para outra e que, por isso, realmente ajudam na decisão. Pense assim: construir um hospital universitário gera um conjunto de gastos, enquanto firmar convênio com um hospital público gera outro. Para decidir racionalmente, compara-se o que aumenta ou diminui em cada caminho. Se um custo existe nas duas opções do mesmo jeito, ele não ajuda a escolher, porque não altera a decisão. É exatamente por isso que o gabarito é a letra D. A comissão quer apurar a diferença entre os custos totais das alternativas consideradas, ou seja, avaliar o impacto incremental de uma escolha em relação à outra. Esse é o conceito clássico de custos diferenciais, também chamados de custos incrementais ou relevantes para decisão, conforme a doutrina de contabilidade gerencial. As demais alternativas fogem da lógica da decisão: custo real olha o que efetivamente aconteceu, custo padrão serve para comparar com o esperado, custos controláveis dependem de poder de gestão sobre eles e custos perdidos são irrelevantes porque já ocorreram e não mudam com a escolha. Aqui, a pergunta é bem de prova FGV: não quer saber quanto custou no passado, mas quanto cada opção pesa a mais ou a menos na decisão.