A Cia. X, sociedade empresária brasileira, cuja moeda funcional é o Real, é controladora da Cia. Y, sociedade empresária norte-americana, cuja moeda funcional é o Dólar dos Estados Unidos. A Cia. X avalia o investimento pelo método de equivalência patrimonial. No ano de 2022 houve flutuações no câmbio. Os efeitos das mudanças no câmbio são reconhecidos diretamente na
- A)Demonstração dos Fluxos de Caixa.
Errada, porque os efeitos de conversão cambial da controlada no exterior não são reconhecidos diretamente na Demonstração dos Fluxos de Caixa.
- B)Demonstração do Valor Adicionado.
Errada, porque a Demonstração do Valor Adicionado não é o demonstrativo adequado para registrar esses efeitos cambiais de conversão.
- C)Demonstração do Resultado Abrangente.
Certa, porque as variações cambiais decorrentes da conversão das demonstrações de operação no exterior são reconhecidas em Outros Resultados Abrangentes.
- D)Demonstração do Resultado do Exercício.
Errada, porque o Resultado do Exercício recebe a equivalência patrimonial do lucro ou prejuízo, mas não esse efeito de conversão cambial específico.
- E)Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados.
Errada, porque a DLPA não é a demonstração usada para reconhecer diretamente esses efeitos de moeda funcional e conversão.
Gabarito: C
Quando a controladora brasileira tem uma controlada no exterior, entra em cena a conversão das demonstrações contábeis da investida para a moeda de apresentação do grupo. Como a Cia. X está no Brasil e a Cia. Y tem moeda funcional em dólar, as variações cambiais ligadas à conversão dos valores da controlada não vão direto para o resultado do período como se fossem uma despesa ou receita comum. Pelo CPC 02 (Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis), esses efeitos são levados para o Resultado Abrangente, ficando acumulados em conta específica do patrimônio líquido, até que haja a baixa do investimento, quando então podem ser reclassificados. A lógica é simples: não é um ganho ou perda operacional realizado no caixa do dia a dia, mas um reflexo da conversão de uma operação no exterior. No método da equivalência patrimonial, você reconhece no resultado a sua parte no lucro ou prejuízo da investida, mas a diferença de conversão da demonstração da controlada no exterior tem tratamento próprio. A ideia da norma é separar o que é desempenho econômico do investimento e o que é apenas efeito contábil de câmbio. Por isso, o gabarito é a alternativa C. Em prova, sempre desconfie quando a banca falar em 'flutuações no câmbio' envolvendo controlada no exterior: muitas vezes ela quer testar exatamente a diferença entre resultado do exercício e resultado abrangente.