Quando da existência de inflação severa na economia, a premissa contábil básica ameaçada e que tem sua utilidade reduzida é a da:
- A)competência;
Errada, porque o regime de competência continua sendo aplicado mesmo em cenários inflacionários, apenas com possíveis distorções de mensuração.
- B)periodicidade;
Errada, porque a periodicidade permanece como critério de apuração por períodos, ainda que a inflação afete a comparabilidade entre eles.
- C)continuidade;
Errada, porque a continuidade se refere à expectativa de permanência da entidade em funcionamento, não ao poder de compra da moeda.
- D)entidade econômica;
Errada, porque a entidade econômica trata da separação entre o patrimônio da empresa e o dos sócios, tema independente da inflação.
- E)unidade monetária.
Certa, porque a inflação severa reduz a utilidade da unidade monetária como medida estável de valor e afeta a comparabilidade das demonstrações.
Gabarito: E
Quando a inflação fica severa, a contabilidade começa a sofrer com um problema bem básico: a moeda deixa de ser uma medida estável de valor. Em outras palavras, o real de hoje não compra o mesmo que o real de ontem, então comparar números contábeis de períodos diferentes fica bem menos confiável. Por isso, a premissa contábil básica mais atingida é a da unidade monetária. Essa premissa pressupõe que a moeda usada na escrituração tem poder aquisitivo relativamente estável, o que permite somar, comparar e medir fatos contábeis sem grande distorção. Com inflação alta, esse pressuposto perde força e a informação contábil pode ficar “desajustada”. Na prática, a doutrina contábil trata a unidade monetária como uma base de mensuração que funciona melhor em economias estáveis. Quando a inflação é severa, torna-se necessário ajustar demonstrações para preservar a utilidade da informação, como ocorre em modelos de correção monetária ou atualização de valores, conforme a tradição doutrinária e normativa de contabilidade em ambientes inflacionários. Então, o gabarito é a letra E porque a inflação severa não destrói a contabilidade, mas reduz bastante a utilidade da premissa de que a moeda é estável e pode servir como medida confiável. É justamente esse “termômetro” que entra em crise quando os preços sobem rápido demais.