Quando se deseja analisar a composição do endividamento de um ente ao final de um exercício, é necessário usar informações apresentadas no Balanço Patrimonial para apurar este quociente, incluído nos indicadores de análise da estrutura de capital. No caso do quociente de composição do endividamento, uma conta cujo saldo impacta apenas o denominador desse indicador é:
- A)caixa e equivalentes de caixa;
Errada, porque caixa e equivalentes de caixa é conta do ativo e não integra o endividamento.
- B)despesas antecipadas;
Errada, porque despesas antecipadas também são conta do ativo e não afetam esse indicador de dívida.
- C)financiamentos (longo prazo);
Certa, porque financiamentos de longo prazo compõem o passivo não circulante e influenciam apenas o denominador do quociente.
- D)fornecedores (curto prazo);
Errada, porque fornecedores de curto prazo integram o passivo circulante e afetam tanto o numerador quanto o denominador do índice.
- E)reserva de lucros.
Errada, porque reserva de lucros é conta do patrimônio líquido, fora do cálculo do endividamento.
Gabarito: C
O quociente de composição do endividamento mostra como a dívida total do ente está distribuída entre curto e longo prazo. Em termos práticos, ele é calculado com base no passivo circulante em relação ao total das obrigações exigíveis, ou seja, compara o que vence logo com o total do endividamento. A lógica é simples: quanto maior a parte de curto prazo, maior a pressão sobre o caixa no curto prazo. Por isso, as contas do passivo circulante afetam o numerador e o denominador, enquanto as obrigações de longo prazo entram apenas no denominador, porque aumentam o total da dívida sem entrar no grupo de curto prazo. É exatamente esse o caso de financiamentos de longo prazo: eles são passivos exigíveis, mas não compõem o passivo circulante. No Balanço Patrimonial, essa separação segue a estrutura prevista na Lei 6.404/1976 e na apresentação do CPC 26, que distinguem passivo circulante e não circulante. Assim, para a análise do índice, uma dívida de longo prazo altera só o total do endividamento, não a parcela de curto prazo. É por isso que a alternativa C está correta. As demais alternativas não servem porque ou representam ativo, ou patrimônio líquido, ou passivo circulante. Em prova de FGV, esse tipo de questão costuma testar exatamente se você sabe separar o que vai no numerador e o que vai só no denominador.