Em X1, uma entidade apresentava índice de liquidez geral de 1,80. No entanto, os contadores analisaram a situação e constataram que a situação financeira da entidade no ano não era boa, de modo que ela não conseguiria honrar seus compromissos de terceiros. Assinale a opção que indica a limitação do índice de liquidez geral, que pode ter gerado a distorção.
- A)Não são incluídas as obrigações com os sócios da entidade, somente com o capital de terceiros.
Errada, porque a liquidez geral considera passivos de terceiros, mas isso não resolve a distorção apontada no enunciado.
- B)Não há correção dos elementos patrimoniais pela inflação, de modo que não há consideração da perda de valor do dinheiro no tempo.
Errada, pois a falta de correção monetária não é a limitação típica do índice de liquidez geral cobrada aqui.
- C)Não são incluídos os ativos imobilizados, intangíveis e investimentos, que são, muitas vezes, essenciais para o funcionamento da entidade.
Errada, porque a exclusão de imobilizado, intangível e investimentos diz mais respeito à liquidez imediata ou aos ativos circulantes, não à limitação central do índice geral.
- D)A informação utilizada não é tempestiva, de modo que os lançamentos contábeis realizados não são incluídos imediatamente no balanço patrimonial.
Errada, já que tempestividade da informação contábil não é a falha conceitual do índice de liquidez geral.
- E)Não são levados em consideração os prazos de realização dos ativos e de pagamento dos passivos, de modo que aqueles que vencem no curtíssimo prazo recebem o mesmo tratamento dos que vencem no longo prazo.
Certa, porque o índice ignora os prazos de realização dos ativos e vencimento dos passivos, o que pode maquiar a pressão de caixa no curto prazo.
Gabarito: E
O índice de liquidez geral mede a capacidade de pagar as obrigações de curto e de longo prazo com os ativos realizáveis também no curto e no longo prazo. A lógica parece simples: somam-se ativos circulantes e realizáveis a longo prazo e compara-se com passivos circulantes e não circulantes. Se o resultado é maior que 1, em tese há folga. Mas, calma: esse índice não conta toda a história da saúde financeira. A principal limitação é que ele mistura prazos diferentes como se tudo pudesse ser convertido e pago no mesmo ritmo. Um ativo que vai virar dinheiro em alguns dias entra na conta junto com outro que só será realizado daqui a anos; o mesmo vale para dívidas que vencem amanhã e outras que só vencem no futuro. Isso pode gerar uma aparência bonita no número, mas esconder aperto de caixa no curto prazo. Por isso, a entidade pode ter liquidez geral de 1,80 e, ainda assim, passar sufoco para honrar compromissos imediatos. O índice é útil, mas é um retrato amplo, não um filme com a cronologia dos vencimentos. Na análise financeira, costuma-se complementar com liquidez corrente, seca e imediata, justamente para enxergar melhor essa pressão de curto prazo. Assim, o gabarito é a letra E, porque ela aponta exatamente a limitação do índice de liquidez geral: ele não considera os prazos de realização dos ativos e de pagamento dos passivos, tratando com o mesmo peso itens de curtíssimo e de longo prazo. Em doutrina de análise das demonstrações, essa é uma crítica clássica aos índices de liquidez baseados apenas em saldos patrimoniais.