Um analista deseja elaborar um documento com a situação contábil de diferentes entidades do mesmo setor. Para isso, ele analisou suas demonstrações contábeis referentes aos anos de 2019, 2020 e 2021. Para facilitar o seu trabalho, o analista não levou em consideração a atualização dos componentes das demonstrações contábeis pela inflação. Os resultados mais impactados pela não correção pela inflação diziam respeito, principalmente, à análise:
- A)horizontal;
Certa, porque a análise horizontal compara valores entre períodos e é a mais distorcida quando não há correção inflacionária.
- B)vertical;
Errada, porque a análise vertical trabalha com participação percentual dentro da própria demonstração, sendo menos dependente da comparação entre anos.
- C)dos indicadores de liquidez geral;
Errada, porque a liquidez geral pode ser afetada, mas não é o ponto principal indicado pela comparação de períodos sem correção monetária.
- D)dos indicadores de liquidez imediata;
Errada, porque a liquidez imediata depende de caixa e equivalentes, mas o problema central da inflação não está nela de forma predominante.
- E)dos indicadores de estrutura de capital.
Errada, porque os índices de estrutura de capital podem sofrer efeitos, mas o maior impacto da falta de atualização monetária ocorre na comparação horizontal.
Gabarito: A
A análise horizontal compara a evolução de cada conta ao longo do tempo, geralmente tomando um ano-base e observando quanto os valores cresceram ou caíram nos anos seguintes. Quando você faz isso sem corrigir a inflação, pode misturar aumento real com simples perda do poder de compra da moeda, e aí a leitura fica bem enganosa. É por isso que o gabarito é a letra A. Em períodos com inflação, parte da variação aparente das contas pode existir só porque o dinheiro vale menos no ano seguinte, não porque a empresa realmente melhorou ou piorou. Na prática, a análise horizontal sofre diretamente com esse efeito, pois trabalha exatamente com a comparação temporal dos saldos. Já as análises vertical e os indicadores de liquidez ou de estrutura de capital até podem ser afetados indiretamente pela inflação, mas o impacto mais clássico e mais forte da não correção aparece na comparação entre exercícios. A lógica aqui é: se você compara 2019, 2020 e 2021 em valores nominais, sem trazer tudo para a mesma base monetária, a comparação fica torta. Em termos de doutrina contábil, a análise das demonstrações deve considerar a comparabilidade das informações. Sem atualização monetária em ambiente inflacionário, essa comparabilidade piora muito, justamente porque os números de anos diferentes deixam de estar na mesma régua.