Com os avanços em termos da adoção de uma efetiva gestão de custos nas entidades da administração pública, o uso dos chamados indicadores de desempenho de custos se tornou mais recorrente. Os profissionais que atuam na área de gestão de custos devem considerar algumas ponderações quanto à compreensão desses indicadores, entre as quais destaca-se que:
- A)alterações em produtos ou unidades de medidas das ações não comprometem a análise comparativa temporal;
Errada, porque mudanças em produtos, serviços ou unidades de medida prejudicam a comparação temporal e podem distorcer a série histórica.
- B)avaliações qualitativas são consideradas nos resultados dos indicadores;
Errada, porque indicadores de custos são predominantemente quantitativos e não incorporam, por si, avaliações qualitativas de forma direta.
- C)os indicadores baseados nos relatórios de custos são complementares e não devem ser analisados isoladamente;
Certa, porque os indicadores baseados em relatórios de custos são complementares e precisam ser analisados junto com outras evidências de desempenho.
- D)os indicadores consideram limitações decorrentes de efeitos de fatores externos sobre o desempenho dos programas governamentais;
Errada, porque a afirmação é genérica demais e não traduz a característica central cobrada pela questão sobre a leitura complementar dos indicadores.
- E)os resultados dos indicadores devem ser apresentados em unidades específicas e não classificados em faixas de atingimento.
Errada, porque os resultados podem sim ser apresentados em faixas de desempenho, justamente para facilitar interpretação e comparação gerencial.
Gabarito: C
Na gestão de custos na administração pública, os indicadores de desempenho servem para dar uma fotografia do custo e da eficiência, mas essa foto nunca deve ser lida sozinha. Eles ajudam a comparar, monitorar e apoiar decisões, só que dependem do contexto, da forma de apuração e das limitações do próprio indicador. Por isso, não adianta olhar um número e achar que ele conta a história inteira: indicador bom é indicador interpretado com cuidado. A ideia central cobrada na questão é exatamente essa: os indicadores baseados nos relatórios de custos são complementares. Ou seja, eles devem ser analisados em conjunto com outras informações de desempenho, metas, qualidade do serviço, volume produzido e contexto da política pública. Sozinhos, eles podem até impressionar, mas não fecham o diagnóstico. Essa postura é coerente com a lógica adotada na NBC T 16, especialmente na parte de custos no setor público, e também com a prática de avaliação de desempenho no setor governamental: custo sem resultado pode enganar, e resultado sem custo também. Em concurso, a banca costuma valorizar essa visão integrada, sem fetichizar o número. Então, o gabarito é a letra C porque reconhece que os indicadores de custos são ferramentas de apoio e comparação, não uma verdade absoluta isolada. Em bom português: eles ajudam muito, mas não podem virar juiz único do desempenho.