Uma indústria apresentou as seguintes informações sobre suas operações projetadas para o exercício de 2022: Capacidade de Produção 80.000 unidades/ano Capacidade utilizada 50.000 unidades/ano Custos Fixos de produção R$ 35.000,00/anos Custos Variáveis de produção R$ 11,00/unidade Despesas Fixas de produção R$ 21.000,00/ano Despesas Variáveis de produção R$ 5,00/unidade Preço de Venda (líquido) R$ 20,00/unidade Outras informações: • Os custos e as despesas fixas não sofrem alterações até o limite de unidades previstas pela capacidade de produção; • Todas as unidades previstas para serem produzidas serão absorvidas pelo mercado; e, • O preço de venda unitário é apresentado líquido de tributos incidentes sobre as vendas e outras deduções. Em outubro de 2022, a indústria recebeu a proposta para uma encomenda de 20.000 unidades pelas quais o comprador está disposto a pagar R$ 18,00/unidade, líquido de impostos e outras deduções e, para atender à demanda, a indústria terá que elevar sua capacidade utilizada para 70.000 unidades/ano. Considerando o conceito de Margem de Contribuição, é correto afirmar que a indústria:
- A)Deve aceitar a encomenda, pois irá ampliar a sua capacidade de produção e conseguirá gerar um aumento de R$ 360.000,00 em seu resultado bruto.
Errada, porque o enunciado pede análise por margem de contribuição, e o ganho incremental não é de R$ 360.000,00 nem há indicação de aumento de capacidade como consequência econômica relevante para esse valor.
- B)Deve aceitar a encomenda, pois o seu lucro bruto irá aumentar em R$ 140.000,00 e o resultado antes do imposto de renda será acrescido do mesmo valor.
Errada, porque o lucro bruto não aumenta em R$ 140.000,00; a margem adicional correta da encomenda é de R$ 40.000,00, considerando apenas os valores que variam com o pedido.
- C)Não deve aceitar a encomenda, pois haverá o aumento de R$ 220.000,00 em seus Custos Fixos, o que implicará na redução de seu resultado antes do imposto de renda.
Errada, porque não há aumento de R$ 220.000,00 em custos fixos e, pela própria questão, os custos fixos não sofrem alteração dentro da capacidade prevista.
- D)Deve aceitar a encomenda, pois obterá uma Margem de Contribuição adicional de R$ 40.000,00 e haverá o aumento de seu resultado antes do imposto de renda neste valor.
Certa, porque a encomenda gera margem de contribuição adicional de R$ 40.000,00 e, como os fixos não mudam, esse valor aumenta o resultado antes do imposto de renda.
- E)Não deve aceitar a encomenda, pois as suas despesas fixas serão reduzidas em R$ 100.000,00 e as variáveis não terão alteração, o que irá refletir na redução do resultado bruto.
Errada, porque as despesas fixas não serão reduzidas e a decisão correta não depende de redução de resultado bruto, mas da margem adicional que a encomenda gera.
Gabarito: D
A ideia central aqui é simples: para decidir se vale aceitar uma encomenda extra, voce olha apenas o que muda com ela. Em contabilidade de custos, isso é raciocínio incremental, muito ligado à Margem de Contribuição. Ou seja, entram no cálculo o preço de venda e os custos/despesas variáveis. Os fixos, se não mudarem, ficam fora da conta, porque eles já existiriam com ou sem o pedido. Na questão, a encomenda é de 20.000 unidades a R$ 18,00 cada. O custo variável é R$ 11,00 por unidade e a despesa variável é R$ 5,00 por unidade. Então a margem de contribuição unitária da encomenda é: 18 - 11 - 5 = R$ 2,00. Multiplicando pela quantidade do pedido, a margem de contribuição adicional é de 20.000 x 2 = R$ 40.000,00. Como as despesas e custos fixos não aumentam, esse valor entra diretamente como aumento do resultado antes do imposto de renda. É por isso que a alternativa D está certa. Em resumo: a empresa deve aceitar a encomenda, porque ela gera contribuição positiva e não provoca aumento dos custos fixos. Em prova, esse é o clássico: se o preço especial cobre os variáveis e ainda sobra algo, o pedido tende a ser vantajoso. Aqui sobra R$ 2 por unidade, e o caixa da questão agradece.