Sobre análise custo-benefício e análise custo-efetividade, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Avaliações de custo-benefício requerem a transformação dos benefícios e impactos positivos de uma determinada política em valores monetários.
Certa: na análise custo-benefício, benefícios e impactos positivos devem ser convertidos em valores monetários para permitir a comparação com os custos.
- B)Avaliações de custo-efetividade comparamos custos em termos monetários com os impactos positivos e benefícios gerados de um determinado programa.
Errada: na custo-efetividade, os resultados não são monetizados; os custos são monetários, mas os efeitos são medidos em unidades físicas ou indicadores de resultado.
- C)Tanto a avaliação custo-efetividade quanto a avaliação custo- -benefício permitem ao gestor público entender, de forma mais concreta, como os benefícios da política se comparam com seus custos.
Certa: ambas as análises ajudam o gestor a comparar, de forma objetiva, os custos da política com seus resultados ou benefícios.
- D)A avaliação custo-efetividade, assim como a avaliação custo- -benefício, busca comparar os resultados de uma determinada política ou programa com o gasto monetário que esteve envolvido na sua realização.
Certa: a custo-efetividade também compara resultados de uma política com o gasto monetário, só que os resultados não precisam virar dinheiro.
- E)Com a adoção da avaliação custo-efetividade, o processo de transformação dos impactos de uma política em valores monetários torna-se trivial, haja vista ser inteligível dimensionar o impacto para o beneficiário ou para a sociedade como um todo.
Errada: a custo-efetividade não torna trivial a monetização dos impactos; isso é próprio da custo-benefício, enquanto a custo-efetividade geralmente dispensa essa conversão.
Gabarito: E
Na contabilidade de custos e na avaliação de políticas públicas, a lógica central é comparar o que se gastou com o que foi entregue. Na análise custo-benefício, tanto os custos quanto os benefícios precisam ser trazidos para a mesma linguagem: dinheiro. É por isso que se fala em monetizar impactos, inclusive benefícios intangíveis, como tempo economizado ou melhoria de bem-estar, quando isso for possível. Já na análise custo-efetividade, a conversa muda um pouco: os custos continuam em valores monetários, mas os resultados são medidos em unidades físicas ou em indicadores de desempenho, como número de atendimentos, vidas salvas, pontos de aprendizagem ou exames realizados. Ou seja, ela ajuda a responder: qual programa entrega mais resultado por real gasto? A assertiva E está errada porque inverte a lógica da custo-efetividade. Ela afirma que, com essa avaliação, transformar impactos em dinheiro seria trivial, mas isso é característica da análise custo-benefício, não da custo-efetividade. Na prática, a custo-efetividade existe justamente quando monetizar os resultados é difícil, incerto ou pouco útil. Doutrinariamente, a diferença é essa mesma: custo-benefício trabalha com monetização dos efeitos; custo-efetividade compara custo monetário com efeito em unidade natural. Então, se a frase diz que a custo-efetividade facilita a monetização dos impactos, desconfiar é quase um reflexo de sobrevivência em prova.