A contabilidade é uma ciência social aplicada, sendo fortemente influenciada no ambiente em que atua. O profissional contábil aceita riscos e assume responsabilidades de agir no interesse público. Em relação a tal afirmação, o profissional contábil:
- A)Não deve agir no interesse público.
Errada, porque o contador deve, sim, atuar em defesa do interesse público, não o contrário.
- B)Deve agir primeiramente no seu interesse individual.
Errada, pois o interesse individual do profissional não pode se sobrepor aos deveres éticos e públicos da profissão.
- C)Não deve agir somente em virtude dos interesses do contratante.
Certa, porque o contador não pode se limitar aos interesses do contratante e deve observar também o interesse público e a ética profissional.
- D)Deve agir somente de acordo com as necessidades do contratante.
Errada, porque o contador não atua somente conforme as necessidades do contratante; ele também precisa respeitar a lei, a ética e a função social da contabilidade.
Gabarito: C
A ideia central da questão está no papel ético do contador: ele não trabalha só para quem o contrata, mas também para o interesse público. Isso aparece de forma bem clara no Código de Ética Profissional do Contador, aprovado pela NBC PG 01, que exige comportamento voltado à integridade, objetividade e responsabilidade social. Em outras palavras, o contador não é um “faz-tudo” do cliente. Ele tem deveres com a sociedade, com a fé pública e com a qualidade da informação contábil. Na prática, isso significa que o profissional contábil pode atender ao contratante, sim, mas sem se prender exclusivamente aos desejos dele quando esses desejos contrariem a ética, a lei ou a verdade dos registros. Se o cliente quer algo que distorce demonstrações, omite fatos ou cria aparência falsa, o contador não pode simplesmente obedecer. O compromisso dele é com a informação correta e com o interesse coletivo que depende dessa informação. Por isso, a alternativa C está correta: o profissional contábil não deve agir somente em virtude dos interesses do contratante. Esse “somente” entrega a pegadinha da banca, porque reduz a atuação do contador a uma lógica privada, quando a profissão tem dimensão social e pública. Em concurso, sempre desconfie de frases absolutas que tentam limitar a atuação ética do contador a um único lado da relação. Em resumo: o contador serve ao cliente, mas não é refém dele. A atuação profissional deve respeitar o interesse público, os princípios éticos e as normas contábeis, que existem justamente para dar credibilidade à informação.