A empresa brasileira MITNARO S/A, em abril de 2020, importou maquinário da empresa americana Strong Products-Inc, no valor de US$ 100.000,00. O maquinário foi instalado e ficou pronto para entrar em operação no mesmo mês, quando a taxa de câmbio vigente era: US$ 1,00 = R$ 3,3098. Nas condições negociais, ficou estabelecido que o pagamento seria a prazo e deveria ser efetuado no dia 02 de maio de 2020. No dia do efetivo pagamento da máquina importada, verificou- -se que a taxa de câmbio era US$ 1,00 = R$ 3,5418 e que a empresa estava isenta do pagamento de IOF. Considerando as informações disponibilizadas anteriormente, assinale o lançamento a ser efetuado em virtude do efetivo pagamento ao fornecedor estrangeiro.
- A)D – Fornecedores estrangeiros – Strong Products-Inc (Passivo Circulante) R$ 330.980,00 D – Variações cambiais (Conta de resultado) R$ 23.200,00C – Bancos – Conta Movimento (Ativo Circulante) R$ 354.180,00
Certa, porque baixa a obrigação pelo valor originalmente reconhecido e registra a perda cambial de R$ 23.200,00, com saída de caixa pelo valor efetivamente pago.
- B)D – Fornecedores estrangeiros – Strong Products-Inc (Passivo Circulante) R$ 354.180,00 C – Bancos – Conta Movimento (Ativo Circulante) R$ 354.180,00
Errada, porque ignora a variação cambial e lança todo o pagamento apenas como baixa do passivo e banco, sem reconhecer a despesa cambial.
- C)D – Fornecedores estrangeiros – Strong Products-Inc (Passivo Circulante) R$ 307.780,00 D – Variações cambiais (Conta de resultado) R$ 23.200,00 C – Bancos – Conta Movimento (Ativo Circulante) R$ 330.980,00
Errada, porque o valor de baixa do fornecedor está incorreto e ainda trata a diferença como se fosse suficiente sem refletir o valor correto do pagamento.
- D)D – Fornecedores estrangeiros – Strong Products-Inc (Passivo Circulante) R$ 354.180,00 C – Variações cambiais (Conta de resultado) R$ 23.200,00 C – Bancos – Conta Movimento (Ativo Circulante) R$ 330.980,00
Errada, porque inverteram a lógica da conta de variação cambial e também deixaram o passivo pelo valor errado, embora o pagamento em bancos esteja correto.
Gabarito: A
Quando a empresa compra um bem do exterior a prazo, a dívida em moeda estrangeira nasce pelo valor convertido na data do reconhecimento inicial, usando a cotação daquele momento. Aqui, o maquinário entrou em abril de 2020, com dólar a R$ 3,3098, então o passivo com o fornecedor foi registrado em R$ 330.980,00. Isso é o chamado custo histórico da obrigação, e depois ela é atualizada pela variação cambial até o pagamento. No dia 02 de maio, o dólar subiu para R$ 3,5418. Como a dívida era em moeda estrangeira, o valor a pagar em reais ficou maior: US$ 100.000,00 x 3,5418 = R$ 354.180,00. A diferença de R$ 23.200,00 não foi milagre contábil nem tarifa escondida: foi perda cambial, porque a empresa precisou desembolsar mais para quitar a mesma obrigação. Então o lançamento correto no pagamento é: debitar Fornecedores estrangeiros pelo valor que estava no passivo, debitar Variações cambiais pelo aumento da dívida e creditar Bancos pelo valor efetivamente pago. Esse tratamento está alinhado com a lógica do CPC 02, que trata os efeitos das variações cambiais nas demonstrações contábeis. Resumo de prova: dívida em moeda estrangeira no passivo entra pela cotação da data do fato gerador, e no pagamento você compara com a cotação da quitação. Se o dólar subiu, aparece despesa cambial; se caiu, apareceria ganho.