Determinada sociedade industrial adquiriu um equipamento produtivo, colocado imediatamente em operação, reconhecido inicialmente pelo valor de R$ 400 mil, correspondente ao seu custo. A vida útil do ativo foi estimada em 5 milhões de peças produzidas, tendo sido, a partir dessa definição, apropriadas cotas de depreciação mensal de acordo com o volume produzido. A sociedade trabalha com uma expectativa de 10% do custo inicial a título de valor residual. Após a utilização do equipamento na produção de 3 milhões de peças, foi realizada uma avaliação de seu valor recuperável, tendo sido encontrados os valores de R$ 140 mil para venda, já deduzidos os custos de comercialização, e de R$ 160 mil para manutenção em uso. Nessa situação hipotética, a sociedade proprietária do equipamento deve
- A)reconhecer uma valorização de R$ 16 mil pelo valor em uso superior ao valor contábil líquido.
Errada, porque o valor em uso não supera o valor contábil líquido; ele é menor, então não há valorização a reconhecer.
- B)contabilizar uma provisão de R$ 44 mil por perda de valor recuperável.
Errada, porque a perda calculada não é de R$ 44 mil: o valor contábil líquido é R$ 184 mil e o recuperável é R$ 160 mil, gerando R$ 24 mil.
- C)abster-se de realizar qualquer ajuste no valor contábil líquido do bem.
Errada, porque existe diferença entre o valor contábil líquido e o valor recuperável, então o ajuste é necessário.
- D)provisionar R$ 24 mil por perda de valor recuperável.
Certa, porque o valor contábil líquido de R$ 184 mil é maior que o valor recuperável de R$ 160 mil, exigindo perda de R$ 24 mil.
- E)reconhecer uma perda de valor recuperável de R$ 16 mil.
Errada, porque a perda não é de R$ 16 mil; esse número surge de um cálculo incompleto ou de comparação com o menor valor, e não com o valor recuperável correto.
Gabarito: D
Aqui a ideia central é bem clássica: primeiro você calcula o valor contábil líquido do bem, depois compara com o valor recuperável. Se o recuperável for menor, a diferença vira perda por redução ao valor recuperável (impairment), conforme a lógica do CPC 01. Isso evita que o ativo fique “mais bonito no papel” do que realmente vale no mundo real. No caso, o equipamento custou R$ 400 mil, mas já tinha valor residual esperado de R$ 40 mil, então a base depreciável foi de R$ 360 mil. Como a depreciação era por unidades produzidas, com vida útil de 5 milhões de peças, produzir 3 milhões significa ter consumido 60% da vida útil econômica. Logo, a depreciação acumulada é de R$ 216 mil, e o valor contábil líquido cai para R$ 184 mil. Na avaliação do recuperável, você sempre escolhe o maior entre o valor justo líquido das despesas de venda e o valor em uso. Aqui, entre R$ 140 mil e R$ 160 mil, prevalece R$ 160 mil. Como o valor contábil líquido estava em R$ 184 mil, há perda de R$ 24 mil. Portanto, o gabarito é a letra D: deve-se reconhecer uma perda por valor recuperável de R$ 24 mil. É exatamente o tipo de conta que a CESPE gosta de montar com depreciação por unidades produzidas para ver se você não passa batido no valor residual e no teste de recuperabilidade.