Uma empresa do ramo de calçados, estudando a possibilidade de começar a exportar seus produtos para os países do MERCOSUL, encomendou a uma firma de consultoria um estudo de viabilidade econômica, que demonstrou que a operação internacional teria uma taxa interna de retorno entre 11% e 15% ao ano, com 95% de probabilidade, considerando-se uma projeção de fluxo de caixa para os próximos 5 anos, além de um período de perpetuidade. Nessa situação hipotética, a opção de exportar será a mais indicada caso
- A)a empresa tenha uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido em suas operações domésticas de 17,5%, com espaço para crescimento.
Errada, porque uma rentabilidade doméstica de 17,5% é superior à TIR do projeto internacional, então a empresa teria mais incentivo para manter os recursos nas operações atuais.
- B)a empresa não disponha de recursos próprios para o início de sua operação internacional, mas consiga obter financiamento à taxa de 13% ao ano.
Errada, porque o fato de conseguir financiamento a 13% ao ano não basta para tornar o projeto automaticamente atrativo, já que a decisão depende da relação entre o retorno esperado do projeto e o custo efetivo do capital.
- C)a taxa de oportunidade que a empresa tem em aplicar seus recursos disponíveis em títulos de renda fixa, de longo prazo, seja de 7,5% ao ano.
Certa, porque a taxa de oportunidade de 7,5% ao ano é inferior à faixa estimada de TIR do projeto (11% a 15%), tornando a exportação economicamente mais vantajosa.
- D)parte relevante da projeção de fluxo de caixa esteja no longo prazo (acima de 5 anos), o que exigirá um elevado comprometimento de caixa da empresa no curto prazo.
Errada, porque a necessidade de imobilizar caixa no curto prazo não define, por si só, se o projeto é melhor ou pior; o critério central é a comparação de retorno e custo de oportunidade.
Gabarito: C
Quando a empresa avalia um projeto, a lógica básica é comparar a taxa de retorno esperada com a taxa de oportunidade, isto é, o que ela deixaria de ganhar ao aplicar o dinheiro em outra alternativa segura ou mais conhecida. Se o projeto rende mais do que essa taxa de oportunidade, ele tende a ser atraente; se rende menos, melhor deixar quieto e evitar dor de cabeça. A TIR funciona justamente como uma régua para essa comparação: se a taxa interna de retorno do projeto superar o custo de capital ou a melhor alternativa de aplicação, o investimento faz sentido. No caso da questão, a consultoria estimou TIR entre 11% e 15% ao ano, com 95% de probabilidade. Isso quer dizer que, mesmo com certa incerteza, o projeto tem retorno esperado acima de 11% e pode chegar a 15%. Para decidir, você compara isso com a taxa de oportunidade da empresa. Se ela consegue aplicar os recursos em títulos de renda fixa de longo prazo a 7,5% ao ano, o projeto de exportação é mais vantajoso, porque a faixa da TIR está acima dessa alternativa conservadora. Por isso o gabarito é a letra C. A empresa estaria trocando uma aplicação que rende 7,5% por um projeto com retorno esperado entre 11% e 15%, ou seja, com ganho potencial maior. Em linguagem de concurso: se a rentabilidade do projeto supera a taxa mínima aceitável, o projeto é economicamente viável. A ideia é clássica da análise de investimentos, muito usada em finanças e contabilidade gerencial, junto com TIR, VPL e custo de oportunidade. Resumo mental para prova: compare sempre projeto x melhor alternativa. Se o projeto entrega mais, ele ganha; se entrega menos, fica no banco.