Uma companhia aberta vendeu mercadorias a prazo por R$ 100.000,00, com vencimento em parcela única para daqui a cinco anos. Se a venda fosse à vista, o valor das mercadorias teria sido de R$ 62.092,13, o que equivale a um custo financeiro anual de 10%. O registro que reflete todos os efeitos contábeis dessa transação hipotética nas receitas da companhia, na data em que a venda foi efetivada, é de
- A)R$ 100.000,00, a crédito de receitas de vendas, retificado por um registro de R$ 37.907,87, a débito de deduções sobre vendas.
Errada, porque R$ 37.907,87 não é dedução sobre vendas, e sim componente financeiro que deve ser apropriado ao longo do tempo.
- B)R$ 62.092,13, a crédito de receitas de vendas.
Certa, porque a receita de vendas deve ser reconhecida pelo valor presente de R$ 62.092,13 na data da operação.
- C)R$ 62.092,13, a crédito de receitas de vendas, e R$ 37.907,87, a crédito de receitas financeiras.
Errada, porque os R$ 37.907,87 não são receita financeira na data da venda; eles serão apropriados futuramente pelo regime de competência.
- D)R$ 62.092,13, a crédito de receitas de vendas, e R$ 37.907,87, a crédito de receitas não operacionais.
Errada, porque não se trata de receita não operacional, e sim de receita financeira futura do financiamento embutido.
- E)R$ 100.000,00, a crédito de receitas de vendas.
Errada, porque o valor nominal de R$ 100.000,00 não pode ser reconhecido integralmente como receita de vendas no reconhecimento inicial.
Gabarito: B
Quando a venda é feita a prazo e o pagamento só vai acontecer muito tempo depois, a contabilidade não deve tratar todo o valor futuro como receita de venda no dia zero. O correto é trazer esse valor a valor presente, separando o que é venda de mercadorias do que é remuneração pelo prazo concedido ao cliente. Em outras palavras: uma parte é receita operacional de vendas e a outra, ao longo do tempo, vira receita financeira. No caso da questão, o valor à vista das mercadorias era R$ 62.092,13. Esse é o montante que deve ser reconhecido como receita de vendas na data da transação. A diferença até R$ 100.000,00, isto é, R$ 37.907,87, não entra como venda naquele momento, porque representa o componente financeiro embutido no parcelamento de cinco anos. Esse tratamento está alinhado ao regime de competência e à lógica das normas contábeis sobre transações com componente financeiro relevante, como ocorre na apuração da receita pelo valor justo/valor presente na data inicial e no reconhecimento posterior dos juros pelo decurso do tempo. O gabarito B está correto justamente porque, na data da venda, somente R$ 62.092,13 são receita de vendas. Se a banca quis ser elegante, ela fez o clássico: misturou preço total, prazo longo e taxa implícita para ver se você reconhecia que juros futuros não são receita de venda no momento da operação. Aqui, a contabilidade separa o pão do recheio.